A Disney decidiu alterar as suas políticas diversidade, equidade e inclusão, segundo um comunicado divulgado internamente na companhia nesta terça-feira (11) e obtido pelo site Axios. A ideia é passar a focar diretamente nos resultados comerciais da empresa, mas a mudança nos programas na gigante do entretenimento acontece em meio a uma avalanche de alterações do mesmo tipo feitas por outras empresas americanas como Meta, Pepsi, GM, Google, Intel e PayPal frente às críticas do presidente à chamada agenda woke.
De acordo com o comunicado, a Disney deixará de exibir os avisos de conteúdo, que desde 2020 antecedem filmes clássicos, como “Dumbo” e “Peter Pan”, para contextualizar a época em que essas obras foram criadas. “Este programa inclui representações negativas e/ou maus tratos de pessoas ou culturas. Estes estereótipos eram incorretos na época e continuam sendo incorretos hoje em dia. Em vez de remover esses conteúdos, queremos reconhecer o impacto nocivo que eles tiveram, aprender com a situação, e despertar conversas para promover um futuro mais inclusivo juntos”, dizia o texto.
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Agora, em vez deste aviso, a empresa passará a veicular uma mensagem mais curta, destacando que determinada obra pode conter “estereótipos ou representações negativas”.
Internamente, as mudanças incluem a substituição do fator de desempenho “Diversidade & Inclusão”, utilizado para avaliar a compensação de executivos, por uma métrica, a “Estratégia de Talentos”, que tem um foco maior no sucesso dos negócios. A Disney ainda vai encerrar o site que dava visibilidade aos talentos de comunidades minoritárias — e que foi bastante criticado por conservadores —, e suspender bolsas para pessoas de grupos invisibilizados.
A empresa também reformulou os “Grupos de recursos empresariais” para “Grupos de pertencimento”, que vão buscar fortalecer a comunidade de funcionários e melhorar a experiência no local de trabalho.

Mudanças na PBS
Além dessas iniciativas, a Disney vinha promovendo obras com destaque à diversidade — e teve relativo sucesso com as ideias. “Moana 2”, por exemplo, alcançou US$ 1 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) em bilheteria global, de acordo com a Box Office Mojo.
A companhia de entretenimento chegou até a travar uma disputa política com o governador da Flórida, Ron DeSantis, por causa da lei estadual conhecida como “Don’t say say” (não diga gay). Em 2022, no entanto, a Disney assumiu uma outra postura, quando o seu novo CEO, Bob Iger, afirmou que não deveria “ser motivado por uma agenda, e sim por entretenimento”.
A mudança nas políticas de diversidade e inclusão não acontecem apenas na Disney. A PBS, rede de televisão americana com programação educativa e sem intervalos comerciais, decidiu fechar um escritório dedicado às iniciativas de diversidade, equidade e inclusão. Em um comunicado interno, a presidente da empresa, Paula Kerger, comunicou o desligamento de funcionárias ligadas ao departamento.
“Nossa missão de educar, engajar e inspirar a ampla variedade de comunidades americanas que atendemos continuará no centro do nosso trabalho, e também continuaremos garantindo que a PBS permaneça um lugar acolhedor para todos”, disse Kerger.
Com informações de O Globo





