Lula decide manter Daniela Carneiro, por enquanto, para não ceder à chantagem do União Brasil

RICARDO BRUNO Apesar da pressão do União Brasil e da orientação do ministro Alexandre Padilha para que a substituição fosse concretizada, o presidente Lula resolveu manter, por enquanto, a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, no cargo. O encontro de Lula com Daniela e Waguinho, acompanhado por Padilha, foi marcado pela emoção. O presidente abraçou demoradamente…

RICARDO BRUNO

Apesar da pressão do União Brasil e da orientação do ministro Alexandre Padilha para que a substituição fosse concretizada, o presidente Lula resolveu manter, por enquanto, a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, no cargo.

O encontro de Lula com Daniela e Waguinho, acompanhado por Padilha, foi marcado pela emoção. O presidente abraçou demoradamente a ministra e cumprimentou emocionado o prefeito, numa vigorosa manifestação de afeto. O ato foi interpretado como reconhecimento ao apoio  de ambos na campanha eleitoral em Belford Roxo, onde Waguinho e Daniela lideraram enormes manifestações públicas a favor do então candidato petista.

Se Lula se portou com emoção, Padilha agiu como pragmático no encontro, fazendo intervenções objetivas sobre a importância dos votos do União para a construção de maioria na Câmara. Com meneios de cabeça, Lula assentia mas não a ponto de decidir sobre a  demissão imediata da deputada para dar lugar ao bolsonarista Celso Sabino, tal como exigido por Bivar e Rueda.

Ainda que, mais à frente, outra decisão possa ser tomada, o presidente resolver manter Daniela num gesto inequívoco de gratidão.

Ficou acertado que o prefeito Waguinho vai se reservar a uma espécie de silêncio obsequioso para não agravar o clima. Nos últimos dias, ele concedera várias entrevistas com críticas a Celso Sabino e à atuação de Padilha na articulação política.

O movimento agressivo do União Brasil, próximo à chantagem (“Ou tira ou 50 deputados vão para oposição”), desagradou ao presidente. A demissão de Daniela no momento mais intenso da pressão confirmaria a imagem de que o governo não teria capacidade de resistir aos gritos vorazes do clientelismo parlamentar. E Lula quer deixar claro que não se submete a este jogo despudorado de barganha.

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