Em derrota política para a Rússia, Turquia aprova adesão da Suécia na Otan e promete trabalhar para apressar ratificação

A Turquia concordou hoje (10) com a adesão da Suécia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Recep Tayyip Erdogan, presidente turco, informou que seu governo vai promover a aprovação do processo no Parlamento de seu país. O anúncio foi feito pelo secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg. Mais cedo, Erdogan havia condicionado a…

A Turquia concordou hoje (10) com a adesão da Suécia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Recep Tayyip Erdogan, presidente turco, informou que seu governo vai promover a aprovação do processo no Parlamento de seu país.

O anúncio foi feito pelo secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg. Mais cedo, Erdogan havia condicionado a aprovação do pedido sueco à adesão da Turquia à União Europeia, um processo que já se arrasta por duas décadas.

— Este é um dia histórico — disse Stoltenberg em entrevista coletiva em Vilna, na Lituânia, depois de se encontrar com Erdogan e o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, na véspera de uma cúpula da Otan. — Tenho o prazer de anunciar que, como resultado [da reunião], o presidente Erdogan concordou em enviar o Protocolo de Adesão da Suécia à Grande Assembleia Nacional o mais rápido possível e trabalhar em conjunto com a Assembleia para garantir a ratificação.

Apesar do anúncio, Stoltenberg reforçou que ainda não há uma data para a aprovação do pedido de adesão pelo Parlamento turco.

Erdogan havia surpreendido os países-membros da Otan ao afirmar, na manhã desta segunda-feira, véspera da cúpula em Vilna, que só removeria o veto à Suécia caso a entrada da Turquia na União Europeia (UE) fosse finalmente aprovada.

Diante da nova demanda, organizou-se às pressas um encontro entre Erdogan e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel — que preside o órgão da UE que representa os governos dos 27 países do bloco — para tentar discutir formas de “revitalizar” a relação bilateral.

Após a reunião com o mandatário turco, Michel afirmou, no Twitter, que haviam explorado “oportunidades para trazer a cooperação entre a UE e a Turquia de volta ao primeiro plano”, acrescentando que “convidou o alto representante [o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell] e a Comissão Europeia a apresentarem um relatório com uma visão sobre como operar de forma estratégica e com vistas ao futuro”.

Com o aval da Turquia, a Suécia será o 32º país a fazer parte do bloco militar liderado pelos Estados Unidos e criado no fim da Segunda Guerra Mundial para conter o avanço da influência soviética em direção ao Ocidente. A nova adesão representa o ápice de uma virada histórica, mas também uma derrota estratégica para o Kremlin.

Após anos de não-alinhamento militar, a Suécia – tal como a Finlândia, cujo processo de adesão foi finalizado em abril –  decidiu solicitar a integração na aliança após o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Mas a aprovação de novos membros requer consenso, e Ancara vinha impondo restrições desde então.

Parte da hesitação turca sobre a participação do país escandinavo na Otan partia de uma percepção de Ancara, dona do segundo maior Exército da Otan, de que os suecos não agem suficientemente para conter grupos terroristas curdos, especialmente o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Argumentam, por exemplo, que Estocolmo concedeu refúgio a extremistas e supostos participantes do golpe fracassado de 2016.

A Suécia tentou superar esse argumento com importantes reformas legislativas. Recentemente, implementou uma lei que transforma em crime a participação em qualquer grupo terrorista, e concordou com a extradição de cidadãos turcos acusados de crimes em seu país — algo posteriormente vetado pela Justiça, deixando Estocolmo de braços relativamente atados já que a separação dos Poderes impede maiores intervenções.

 Com informações de O Globo.

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