Na tensa audiência desta quarta-feira (25) na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, o ministro da Justiça, Flávio Dino, citou, sem nomear, a proximidade da família Bolsonaro com milicianos. Ao ser perguntado sobre supostos elos como crime organizado, Dino disse que não é amigo nem vizinho de milicianos ou empregou seus parentes em gabinetes.
Familiares de Adriano da Nóbrega, miliciano que chefiou o “Escritório do Crime” e morreu em confronto com policiais na Bahia, foram empregados por Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual no Rio. E Ronnie Lessa, um dos presos pelo assassinato da ex-vereadora Mariele Franco, vivia no mesmo condomínio, na Barra da Tijuca, do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não sou amigo de miliciano, não sou vizinho de miliciano, não empreguei no meu gabinete filho de miliciano, esposa de miliciano, e portanto não tenho nenhuma relação com o crime organizado no Rio de Janeiro”, afirmou.
A audiência foi marcada por discussões, bate-bocas e alifinetadas. E a confusão envolveu até mesmo parlamentares da oposição e do mesmo partido. O mote foi o uso de um palavrão, “porra”, durante um questionamento do deputado delegado Éder Mauro (PL-PA) a Dino sobre facções de criminosos.
“Eles [criminosos] fazem o que querem e vocês do ministério [da Justiça] não fazem porra nenhuma para resolver o problema”, afirmou Éder Mauro (PL-PA). O parlamentar foi prontamente interrompido pela presidente da Comissão, Bia Kicis (PL-DF).
“Deputado, por favor, vamos só cuidar das palavras”, repreendeu Bia Kicis, pedindo à assessoria para retirar o palavrão das notas taquigráficas. Mauro não se deu por vencido e fez questão de, ironicamente, repetir a expressão: “Está bom. Então retire a palavra ‘porra’ daí”.
Mais cedo, o ministro Dino havia defendido seu direito a não comparecer às audiências na Câmara dos Deputados. “A ausência é um direito. Nem um réu é obrigado a comparecer para prestar depoimento e eu nunca fui, nem sou réu”, disse Dino.
Dino não havia atendido por duas vezes às convocações da Câmara dos Deputados, e chegou a ser alvo de uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) pelas faltas.
Com informações do Metrópoles





