O fenômeno climático El Niño já está em curso e deve ganhar intensidade nos próximos meses, segundo informou a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A previsão aumentou a preocupação de especialistas e autoridades em relação aos possíveis impactos sobre o clima global e, especialmente, sobre o Brasil.
De acordo com a agência americana, existe uma probabilidade significativa de o fenômeno atingir intensidade moderada ou forte até o fim do ano. As projeções indicam 63% de chance de que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico ultrapasse 2°C acima da média histórica.
O alerta reforça preocupações já manifestadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que recomendou que governos e populações se preparem para os efeitos associados ao fenômeno.
O que é o El Niño
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e influencia o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do planeta.
O fenômeno também está associado ao enfraquecimento dos ventos alísios, responsáveis por empurrar as águas superficiais do oceano em direção ao oeste do Pacífico.
O nome “El Niño” surgiu no Peru e faz referência ao menino Jesus, pois seus efeitos costumam ser percebidos com mais intensidade próximo ao período do Natal.
Brasil pode enfrentar extremos climáticos
Os efeitos do El Niño costumam variar conforme a região do país.
No Sul, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a tendência é de aumento das chuvas, elevando o risco de enchentes, enxurradas e deslizamentos.
Já no Norte e no Nordeste, o cenário geralmente é oposto, com redução das precipitações, aumento das temperaturas e maior probabilidade de secas prolongadas.
No Sudeste e no Centro-Oeste, especialistas apontam para o crescimento da frequência e da intensidade das ondas de calor.
As preocupações aumentaram após a tragédia climática registrada no Rio Grande do Sul entre 2023 e 2024, quando fortes chuvas associadas ao El Niño contribuíram para enchentes históricas.
Fenômeno pode ser muito forte
Meteorologistas avaliam que o atual episódio tem potencial para alcançar intensidade elevada.
Embora o termo “super El Niño” não seja uma classificação técnica oficial, ele costuma ser utilizado quando o aquecimento das águas ultrapassa 2°C ou 2,5°C acima da média.
Modelos climáticos internacionais indicam que o aquecimento pode superar até mesmo a marca dos 3°C em determinadas áreas do Pacífico, cenário que ampliaria os impactos observados em diferentes continentes.
Agricultura, energia e água estão entre os setores mais vulneráveis
Os efeitos do El Niño costumam atingir diretamente atividades econômicas e serviços essenciais.
Na agricultura, períodos prolongados de seca podem comprometer safras e aumentar a necessidade de irrigação. Já chuvas excessivas podem causar perdas de produção e danos à infraestrutura rural.
O abastecimento de água e a geração de energia também costumam ser impactados, especialmente em regiões dependentes de reservatórios e usinas hidrelétricas.
Especialistas defendem ações preventivas para reduzir riscos e minimizar prejuízos econômicos e sociais.
Cidades precisam se preparar
Pesquisadores apontam que os municípios devem reforçar estratégias de adaptação climática.
Em áreas sujeitas a ondas de calor, uma das recomendações é ampliar a presença de áreas verdes, espaços de sombra e pontos de hidratação para a população.
Nas regiões mais suscetíveis a enchentes, especialistas destacam a importância da manutenção de sistemas de drenagem, comportas, bombas de escoamento e planos de emergência da Defesa Civil.
A preparação antecipada é considerada fundamental para reduzir impactos e proteger comunidades diante da possibilidade de eventos extremos nos próximos meses.
A informação foi divulgada pela NOAA e repercutida em reportagem da Folha de S.Paulo.





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