Eduardo Bolsonaro rebate Haddad e nega influência em cancelamento de reunião com Tesouro dos EUA

Ministro da Fazenda atribuiu o episódio à ação de forças de extrema direita ligadas ao deputado, que acusa governo de “bravata ideológica”

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) negou ter qualquer responsabilidade no cancelamento da reunião que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria na próxima quarta-feira (13) com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. O encontro, que trataria da sobretaxa de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros, foi suspenso.

Em entrevista à GloboNews, Haddad atribuiu o cancelamento a “forças de extrema direita” com acesso à Casa Branca, citando nominalmente Eduardo Bolsonaro, que está em viagem aos EUA. Segundo o ministro, “não há coincidência nesse tipo de coisa” e a decisão americana ocorreu logo após o deputado afirmar publicamente que buscaria impedir esse tipo de contato entre os dois governos.

Eduardo nega e critica governo Lula

Em nota conjunta com o ex-comentarista da Jovem Pan Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro rejeitou a acusação de interferência e atacou o governo federal. “Haddad prefere culpar terceiros pela própria incompetência, enquanto Lula só fala besteira por aí e inflama a crise diplomática”, afirmaram.

Eles alegaram que a suspensão da reunião tem relação com a política econômica dos EUA. “Há quase duas semanas, o presidente Donald Trump declarou emergência econômica nos EUA, apresentando de forma clara as razões. Até que o Brasil enfrente esses pontos, qualquer reunião será mera encenação — e, portanto, inútil”, escreveram.

Agenda em Washington e críticas à diplomacia

Eduardo e Figueiredo também afirmaram que viajarão a Washington no mesmo dia em que Haddad se reuniria com Bessent, para “uma série de reuniões com autoridades americanas” e porque “mantemos portas abertas”.

“Talvez Lula também as tivesse se, em vez de proteger o próprio regime e fazer bravata ideológica, colocasse a diplomacia e o interesse nacional em primeiro lugar”, criticaram. Os dois ainda ressaltaram que “não temos, nem pretendemos ter, qualquer controle sobre a agenda do secretário do Tesouro dos EUA. O sr. Bessent é um profissional admirável, que cumpre as diretrizes determinadas pelo presidente e preserva única e exclusivamente os interesses do povo americano”.

Haddad mantém acusação

Haddad, por sua vez, reiterou que o cancelamento ocorreu após declarações de Eduardo Bolsonaro. O ministro disse que, depois de ter anunciado publicamente o encontro, recebeu informações de que aliados de Trump atuaram para inviabilizar a agenda. “Recebemos essa informação um ou dois dias depois do anúncio que eu fiz”, declarou.

Segundo ele, a reunião com Bessent, que seria virtual, foi desmarcada após essa mobilização. “O Eduardo, publicamente, deu uma entrevista [dizendo] que ia procurar inibir esse tipo de contato entre os dois governos, porque o que estava em causa não era questão comercial. Deixou claro isso em uma entrevista pública”, afirmou.

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