O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que é favorável a que seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), deixe o Brasil caso perca a eleição presidencial para o presidente Lula (PT). A declaração foi feita durante participação no programa do comentarista político americano Steven Crowder, transmitido ao vivo.
Ao ser questionado sobre o que a família faria se Flávio não vencesse, Eduardo respondeu inicialmente, em tom de brincadeira, “mandar os fuzileiros navais”. Depois, afirmou: “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”.
Críticas ao sistema eleitoral
Na entrevista, Eduardo também questionou o uso das urnas eletrônicas e afirmou que os eleitores precisam confiar nas máquinas. Ele citou uma frase atribuída ao ditador soviético Josef Stálin sobre quem conta os votos e disse que não poderia provar a ocorrência de fraude, mas que seus adversários também não poderiam provar que ela não aconteceu.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, afirma que nunca houve fraude comprovada no sistema eletrônico brasileiro, utilizado desde 1996. Ao fim da votação, cada urna imprime um boletim com os resultados da seção. Cópias são afixadas no local, entregues a fiscais partidários e disponibilizadas na internet para conferência.
Eduardo também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre propostas de voto impresso. O Congresso aprovou medidas relacionadas ao tema em 2002, 2009 e 2015. A primeira foi revogada em 2003; os dispositivos das outras duas foram derrubados pelo STF, em 2013 e 2020, sob o argumento de que poderiam ameaçar o sigilo do voto.
Condenação e perda do mandato
Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara declarou a perda de seu mandato por excesso de faltas às sessões.
Em junho, a Primeira Turma do STF o condenou por unanimidade a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. A denúncia da Procuradoria-Geral da República, aceita pelo tribunal, apontou que ele teria atuado junto ao governo americano para pressionar o Brasil e interferir no julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo sobre a trama golpista.
A condenação tornou-se definitiva em 3 de outubro, sem possibilidade de novos recursos. Em decisão assinada no dia 7 e divulgada no dia seguinte, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena, expediu mandado de prisão e ordenou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo.







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