O ex-prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, foi eleito nesta segunda-feira (7) presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), com 73,48% dos votos válidos. Com o respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho assume o comando da sigla com o discurso de unificação interna e o compromisso de construir um “campo democrático” em defesa da reeleição de Lula em 2026.
— Meu trabalho será para unificar o nosso partido, na complexidade que isso significa. O desafio de reeleger o presidente Lula em 2026 significa a democracia prevalecer diante do pensamento autoritário que cresce em setores da política brasileira, de inspiração fascista — declarou o novo presidente. — Sei do tamanho da minha missão, mas quero dizer publicamente o quanto estou com vontade de trabalhar e dialogar para que a gente possa construir um campo democrático que reeleja o presidente Lula.
Vitória consolidada e mudanças no comando
Apesar de ainda não contar com os votos de Minas Gerais — terceiro maior colégio eleitoral do partido, onde a eleição foi adiada por disputa judicial — Edinho obteve vitória expressiva, superando nomes históricos do PT como Rui Falcão (11,15%), Romênio Pereira (11,06%) e Valter Pomar (4,3%). A expectativa é que mais de 400 mil filiados participem do processo, que segue com apuração em estados como Pernambuco, Bahia, Paraná e Rio de Janeiro.
A escolha de Edinho marca uma guinada no perfil da direção partidária. Diferentemente da gestão de Gleisi Hoffmann, que liderou o PT em uma linha mais combativa, inclusive com tensões internas no governo, Edinho representa uma aproximação mais pragmática com o Palácio do Planalto e uma disposição maior para o diálogo com partidos de centro e centro-direita.
Costuras e bastidores da eleição
Nos bastidores, a candidatura de Edinho enfrentou resistência inicial da própria Gleisi, mas a tensão diminuiu após sua nomeação para a Secretaria de Relações Institucionais, dentro da reforma ministerial. Em seu discurso, Edinho fez questão de homenageá-la:
— Gleisi é a maior presidenta da história do PT. Conduziu o partido com firmeza durante o período da Lava-Jato e da prisão de Lula — afirmou.
Outro fator decisivo foi a retirada da candidatura do vice-presidente nacional Washington Quaquá, num acordo que garantiu a permanência de Gleide Andrade na Secretaria de Finanças. Considerada figura de consenso, Gleide esteve presente no discurso de vitória e é vista como elo de estabilidade entre as diferentes correntes internas da legenda.
Defesa do governo e reação ao Congresso
Em meio à disputa com o Congresso em torno da manutenção do aumento do IOF, Edinho defendeu a decisão do governo de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) após a derrota legislativa:
— O governo reagiu a uma derrota que foi imposta. Não havia outra saída senão debater com a sociedade. Defender sua posição diante do Congresso não é contraditório — disse, minimizando o impacto do episódio na relação entre Planalto e Legislativo.
Edinho também agradeceu publicamente o apoio de Lula, e prometeu dedicação para corresponder à confiança depositada:
— Vou trabalhar para estar à altura da confiança que o presidente Lula me concedeu — finalizou.





