Douglas Ruas critica gestão fiscal do estado nos últimos quatro anos e sinaliza distanciamento de Castro

Presidente da Alerj afirma que o Estado vem gastando acima da arrecadação e defende equilíbrio fiscal; declaração ocorre em meio ao desgaste político do ex-governador Cláudio Castro

Uma declaração do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e pré-candidato ao Palácio Guanabara, Douglas Ruas (PL), chamou atenção nos bastidores da política fluminense por representar uma das críticas mais contundentes já feitas por ele à condução das contas públicas estaduais nos últimos anos.

Durante entrevista ao podcast Alemão Irritado, Douglas afirmou que o Estado do Rio caminha para o quarto ano consecutivo com orçamento deficitário e criticou o crescimento das despesas acima da evolução das receitas. A fala ganhou peso político por atingir diretamente um período que coincide com a gestão do ex-governador Cláudio Castro, de quem o próprio Douglas foi aliado e integrante do primeiro escalão ao comandar a Secretaria das Cidades.

Ao comentar a situação fiscal do Estado, o presidente da Alerj afirmou que existe um princípio básico da administração pública segundo o qual as despesas devem caber dentro das receitas e não o contrário.

“Nós estamos indo para o quarto ano consecutivo em que o Governo, o Poder Executivo, envia para a Assembleia um orçamento deficitário. E existe um princípio básico na administração pública é que a despesa deve caber dentro da receita, e não o contrário”, declarou.

Na entrevista, Douglas comparou a gestão das contas públicas ao orçamento doméstico de uma família, argumentando que o aumento da arrecadação não justifica um crescimento ainda maior das despesas.

Segundo ele, um levantamento realizado pela Assembleia apontou que a receita estadual cresceu 21% nos últimos anos, mas as despesas avançaram em ritmo superior, gerando desequilíbrio fiscal.

“A receita aumentou 21%. Mas a despesa disparou”, afirmou.

Mudança de tom

O discurso é interpretado como um movimento relevante dentro da construção da pré-candidatura de Douglas Ruas ao Governo do Estado. Embora tenha integrado a administração de Cláudio Castro e mantido proximidade política com o grupo que governa o Rio desde 2021, o presidente da Alerj passou a adotar um discurso mais independente em relação ao legado fiscal da atual gestão.

A avaliação é que a fala busca demonstrar autonomia administrativa e reforçar uma imagem de gestor comprometido com o equilíbrio das contas públicas. O movimento ocorre em um momento de forte desgaste político de Cláudio Castro.

O ex-governador abriu mão recentemente da disputa pelo Senado após sucessivas polêmicas envolvendo seu nome, incluindo desdobramentos relacionados ao caso Banco Master. Além disso, Castro teve recurso rejeitado pela Justiça Eleitoral e permanece inelegível até 2030.

Defesa de ajuste fiscal

Ao longo da entrevista, Douglas Ruas defendeu a necessidade de revisão dos gastos públicos e afirmou que o caminho para o reequilíbrio financeiro passa pela contenção das despesas.

Segundo ele, estudos realizados pela Assembleia identificaram um período em que as contas estaduais estavam equilibradas e serviriam como referência para compreender quais fatores levaram ao cenário atual.

“Então, o que a gente está buscando lá na Assembleia? Entregar para o Estado do Rio de Janeiro, para a população, um orçamento equilibrado. Onde as despesas caibam dentro da receita”, afirmou.

A declaração reforça um discurso que tende a ganhar espaço no debate eleitoral dos próximos meses, especialmente diante do desafio de equilibrar as finanças estaduais e manter investimentos em áreas estratégicas como segurança, saúde, educação e infraestrutura.

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