Os donos dos 280 quilos de cocaína que teriam sido desviados por três agentes e um delegado na Polícia Civil do Rio foram condenados nesta quarta-feira pela Justiça Federal no Rio por tráfico internacional de drogas e organização criminosa.
Os policiais civis foram alvos da Operação Dèjá Vu, da Polícia Federal (PF) na última sexta-feira (20). Eles foram afastados das funções na Polícia Civil, e tiveram que passar a usar tornozeleira eletrônica.
Parte dos integrantes da quadrilha de traficantes internacionais foi presa em fevereiro de 2022, na Operação Turfe, da PF. A operação foi batizada de “Turfe” em alusão ao homem apontado como o chefe do grupo criminoso, Cristiano Mendes de Córdova Nascimento. Ele era dono de dezenas de cavalos de corrida, alguns premiados, e segundo a PF usava o turfe para lavar o dinheiro do tráfico. No total, nove pessoas ligadas à quadrilha foram condenadas pela Justiça Federal.
Outro preso na Operação Turfe, agora condenado, é Alexsandro Marques de Oliveira. Campeão carioca pelo Vasco em 2003, o ex-jogador pegou 10 anos de prisão. Os investigadores dizem que a função dele na quadrilha era alugar os galpões onde a cocaína era colocada dentro dos contêineres, antes de irem para o porto.
De acordo com as investigações da PF e do Gaeco do MPF, a quadrilha enviou 6,68 toneladas de cocaína para a Europa e África em 14 operações distintas, entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2022. A droga era escondida em contêineres, transportados em navios que partiam do porto do Rio.
Outras duas tentativas de remessa da droga não tiveram sucesso porque a droga foi apreendida – entre elas, a realizada pelos três agentes e pelo delegado da Polícia Civil, em dezembro de 2020.
Um dos membros da quadrilha, Leonardo Serro dos Santos, enviou uma mensagem para outro integrante do bando ao ser informado que policiais civis da 25ª DP (Engenho Novo) estavam realizado a operação para apreensão da carga.
“Roubaram 280. Bando de ladrão fdp. Mas eles não sabem com quem estão brincando. Já estão vindo advs (advogados) para o RJ”, escreveu Leonardo, condenado a 18 anos de prisão.
A sentença também diz que os 280 quilos da cocaína foram desviados pelos policiais civis.
“Apesar de o termo que instrui o auto de prisão em flagrante informar que foram apreendidos tão-somente 216 kg de cocaína, as tratativas para o transporte da cocaína e as conversas (…) comprovam que a massa total da carga apreendida correspondia a meia tonelada e que, portanto, o restante da cocaína fora subtraído ilicitamente em algum momento entre a abordagem policial e lavratura do auto de prisão em flagrante”, escreveu o juiz federal.
Com informações do G1.





