A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta quarta-feira (18) Erick Couto Cordeiro, proprietário de um ferro-velho em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, acusado de envolvimento em uma rede criminosa especializada em receptação de cobre furtado. Segundo os investigadores, Erick movimentou R$ 33,6 milhões em suas contas bancárias entre 2020 e 2024, valor considerado incompatível com sua atividade e sem justificativa financeira legal. As informações são do portal g1.
A prisão ocorreu durante a operação Caminhos do Cobre, que investiga o funcionamento de uma estrutura empresarial paralela usada para esquentar materiais furtados, como cabos subterrâneos de concessionárias de serviços públicos. Erick foi detido por receptação e crime ambiental, mas também é investigado por associação criminosa, receptação qualificada e lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, Erick é dono de dois endereços utilizados como ferro-velho, um deles em Jacarepaguá, onde ele e o gerente foram presos. Apesar de o caminhão usado nos furtos de cabos não estar em seu nome, os agentes afirmam que o veículo pertence a ele. O mesmo caminhão foi identificado em pelo menos cinco ocorrências de furto desde 2024, três delas registradas na Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), uma na 32ª DP (Taquara) e outra na 16ª DP (Barra da Tijuca).
Em 17 de outubro de 2024, o veículo foi flagrado por câmeras de segurança durante um furto de cabos de cobre na Barra da Tijuca. A ação contou com a participação de pelo menos três homens. O caminhão chegou a ser apreendido, mas Erick se apresentou como proprietário e ficou como depositário do veículo. Em janeiro deste ano, ele voltou a aparecer em outro furto. Agora, foi novamente apreendido.
Em depoimento anterior, prestado na 16ª DP, Erick negou envolvimento nos furtos. Ele alegou que o caminhão teria sido usado por uma pessoa desconhecida após ele encontrar a chave na ignição.
A operação desta quarta-feira também cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em recicladoras de cobre e endereços de sócios, operadores financeiros e estruturas de suporte logístico, em diferentes pontos do estado, incluindo o município do Rio, a Baixada Fluminense e a Região dos Lagos. A investigação revelou que grandes recicladoras movimentaram, juntas, cerca de R$ 2,5 bilhões em quatro anos, muitas vezes utilizando estruturas formais para legalizar materiais de origem criminosa.
Os relatórios de inteligência financeira analisados pela polícia reforçam a suspeita contra Erick. Apenas entre setembro de 2020 e março de 2021, suas contas receberam R$ 9,1 milhões. Outros R$ 10,7 milhões foram movimentados entre fevereiro e agosto de 2023, seguidos por mais R$ 13,7 milhões entre agosto de 2023 e julho de 2024. Ao mesmo tempo, o ferro-velho de Erick, segundo a polícia, não possui CNPJ e opera de forma irregular.
A Polícia Civil também identificou que Erick já possui antecedentes por furto de cabos de cobre. A defesa dele ainda não foi localizada pela reportagem.
As investigações prosseguem com foco na responsabilização de integrantes da cadeia de receptação e na recuperação dos valores obtidos ilegalmente.
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