Do Master ao Pleno: liquidações do Banco Central já consomem quase R$ 52 bilhões do FGC

Desmonte de instituições ligadas ao Banco Master leva fundo garantidor a acionar plano emergencial para recompor caixa

A série de liquidações extrajudiciais iniciada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 já provocou um impacto financeiro estimado em R$ 51,8 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos, informa o portal Metrópoles. O valor se aproxima de R$ 52 bilhões e inclui o desembolso projetado de R$ 4,9 bilhões referente às garantias de credores do Banco Pleno, liquidado nesta quarta-feira (18/2).

Com a nova intervenção, soma-se ao montante já destinado aos casos do Banco Master e do Will Bank. O maior volume de recursos está relacionado ao Master, com R$ 40,6 bilhões em garantias. Em seguida aparece o Will Bank, com R$ 6,3 bilhões, e por último o Banco Pleno, com R$ 4,9 bilhões.

Sequência de liquidações

A primeira medida dessa série foi a liquidação do Banco Master, decretada em 18 de novembro de 2025, após a identificação de um suposto esquema envolvendo títulos falsos. Em 21 de janeiro deste ano, o Banco Central determinou a liquidação do Will Bank, integrante do conglomerado do Master, sob alegação de problemas de solidez financeira.

Nesta quarta-feira, foi a vez do Banco Pleno ter a liquidação extrajudicial decretada. No mesmo período, também houve a liquidação da Reag, em 15 de janeiro. Contudo, por se tratar de uma gestora de capitais, não houve acionamento do FGC nesse caso.

Ressarcimento aos clientes

Os clientes do Banco Master com aplicações cobertas pelo fundo já começaram a receber os valores devidos. No caso do Will Bank, houve um adiantamento parcial das garantias.

Já os clientes do Banco Pleno precisarão aguardar a liberação dos pagamentos, que depende do envio de informações detalhadas pelo liquidante ao FGC. O liquidante é indicado pelo Banco Central e tem a responsabilidade de realizar o levantamento completo dos ativos e passivos da instituição. Cabe a ele encaminhar ao fundo a lista de clientes e os valores a serem ressarcidos.

Como funciona a cobertura

O Fundo Garantidor de Créditos funciona como um mecanismo de proteção aos clientes do Sistema Financeiro Nacional. Ele assegura o ressarcimento, dentro de regras específicas, em caso de liquidação de bancos e outras instituições financeiras.

A cobertura máxima é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira. Existe ainda um limite global de R$ 1 milhão por cliente dentro de um período de quatro anos.

Segundo o balanço patrimonial mensal de setembro de 2025, último disponível no site do FGC, o fundo possuía R$ 160 bilhões em recursos.

Plano emergencial de reforço

O volume expressivo de garantias acionadas levou o FGC a adotar medidas para reforçar seu caixa. Na última quarta-feira (10/2), foi aprovado um plano emergencial com o objetivo de recompor os recursos após o impacto financeiro das liquidações.

A proposta prevê a antecipação imediata do equivalente a cinco anos de contribuições futuras dos bancos associados, distribuída em três parcelas mensais. O cronograma inclui ainda novos adiantamentos: mais 12 meses de contribuições em 2027 e outros 12 meses em 2028. Na prática, a medida pode representar até sete anos de aportes antecipados ao fundo.

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