A tentativa de construção de uma frente ampla progressista para disputar o governo do Rio Grande do Sul enfrenta um obstáculo central: PT e PDT insistem em manter candidatura própria e não abrem mão da liderança da chapa.
Na quarta-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio do Planalto a ex-deputada estadual Juliana Brizola e o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, para discutir o cenário eleitoral gaúcho. O encontro reforçou a movimentação em torno de uma possível aliança, mas não resolveu o impasse.
Impasse sobre a cabeça de chapa
Dirigentes pedetistas avaliam que a esquerda teria mais chances de vitória se o PT desistisse de lançar candidato próprio e aderisse ao projeto de Juliana, neta de Leonel Brizola. Caso aceitasse, o PT gaúcho poderia ficar, pela primeira vez, sem candidatura ao governo estadual.
Carlos Lupi classificou a reunião como um diálogo franco e respeitoso e afirmou que Lula ouviu com atenção o pedido de apoio à pré-candidatura. Dias antes, ele já havia se reunido com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e declarou ter recebido compromisso de apoio, o que o diretório petista nega.
Candidaturas mantidas
Do lado petista, o nome do presidente da Conab, Edegar Pretto, segue como prioridade. Ele já era apontado como candidato desde o primeiro turno de 2022, quando quase levou a disputa contra Eduardo Leite ao segundo turno, ficando a menos de 2.500 votos da classificação.
Pretto e Juliana afirmam publicamente que não pretendem abrir mão de suas pré-candidaturas, embora defendam a formação de uma frente de esquerda no estado. Juliana publicou foto ao lado de Lula e Lupi após o encontro e afirmou que respeita o tempo de cada partido e sai confiante na construção de um projeto sério para o estado.
Na eleição municipal de 2024, Juliana disputou a prefeitura de Porto Alegre e ficou em terceiro lugar, com 19,6% dos votos. A estratégia adotada na ocasião buscava se apresentar como alternativa à polarização entre o PT e a direita, discurso que mantém agora ao se colocar como nome mais competitivo para enfrentar a direita em eventual segundo turno.
Força eleitoral e cenário estadual
O desempenho de Pretto em 2022 animou o PT, que já governou o estado com Olívio Dutra e Tarso Genro e administrou Porto Alegre por mais de uma década. Na última eleição estadual, Jair Bolsonaro venceu Lula no estado, mas Eduardo Leite derrotou o candidato bolsonarista Onyx Lorenzoni no segundo turno, com apoio crítico do PT local.
Neste novo ciclo, o PL deve lançar Luciano Zucco em uma chapa alinhada à direita com PP e Novo, enquanto Eduardo Leite articula a candidatura do vice-governador Gabriel Souza ao centro.
Pretto considera o cenário mais favorável que em 2022. Eu comecei a minha pré-candidatura com 4% nas pesquisas e terminamos com quase 27%, afirmou. O resultado levou Lula a indicá-lo para a presidência da Conab.
Estratégia e palanque para Lula
O presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, afirmou que já houve três ou quatro reuniões com o PDT e o PSB e destacou que existe uma mesa pró-Lula com oito partidos no estado. Segundo ele, o partido trabalha para ampliar o apoio à candidatura de Pretto, mas reconhece a legitimidade da construção pedetista.
Vamos trabalhar bastante para que a gente possa ter o máximo de unidade, mas não vamos nos dividir se porventura sair mais do que uma candidatura nesse campo. Organizado, é claro, para que possamos estar juntos no segundo turno, declarou.
Pretto reforça que a prioridade é garantir a vitória de Lula no estado, algo que não ocorre desde 2002. Queremos ter o PDT caminhando conosco, se possível, já no primeiro turno. É a nossa vontade ter esse palanque, que é uma oportunidade para a reeleição do presidente Lula, afirmou. Ele também classificou como natural o encontro de Lula com os pedetistas e assegurou que não faltará esforço para buscar unidade.
Hoje, a aliança formada por PT, PCdoB, PSol, PV e Rede soma 14 deputados estaduais, oito federais e o senador Paulo Paim, que não buscará novo mandato. Para o Senado, estão colocados os nomes de Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta, este último ex-ministro extraordinário da Reconstrução do RS após a tragédia climática que devastou o estado.
Enquanto as conversas avançam, a disputa pela cabeça de chapa mantém a frente ampla em compasso de espera e deixa indefinido o desenho final da esquerda gaúcha para a próxima eleição.






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