Discursos em defesa do corte de gastos tranquilizam mercado, mas reação de Lula sobre decisão preocupa, dizem jornais

Dúvidas sobre apoio de Lula aos cortes têm destaque no noticiário

Após o estresse dos últimos dias, provocado sobretudo pelas incertezas em relação ao ajuste fiscal, integrantes do governo afinaram o discurso para tentar melhorar o humor do mercado financeiro. Em entrevista conjunta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, saíram em defesa da revisão dos gastos públicos, o que aplacou, por ora, a pressão que o dólar vinha sofrendo.

Mas nesta sexta-feira, há no noticiário dos grandes jornais brasileiros a convicção de que as declarações de ontem dos ministros e do vice-presidente precisarão ter a manifestação de apoio tácita do presidente Lula.

A Folha lembra em manchete que a decisão de realizar cortes “ainda depende de compromisso de Lula com revisão de gastos.

Ministro recebeu voto de confiança. continua a Folha, mas “ainda precisa atravessar o Planalto com plano para despesas.

O jornal Estado de São Paulo, “Estadão” lembra que “na quarta-feira, 12, o presidente  afirmou que, para ele, o ajuste fiscal se dá via aumento de receitas e de redução de juros, sem mencionar corte de gastos. “Estamos arrumando a casa e colocando as contas públicas em ordem para assegurar o equilíbrio fiscal. O aumento da arrecadação e a queda da taxa de juros permitirão a redução do déficit sem comprometer a capacidade de investimento público”, disse.

A Folha diz ainda “Haddad atravessou a semana com uma medida econômica importante barrada pelo Congresso, um crescimento do mau humor de empresários, um ceticismo em relação a seus planos para equilibrar as contas públicas e uma disputa de poder dentro do governo. Nos piores momentos, correram soltas especulações furadas sobre sua saída do cargo.

A declaração do presidente nesta quinta-feira (13) foi uma solução rápida e barata para aliviar ao menos parte do desgaste. Lula pode discordar de algumas ideias de Haddad, mas decidiu fazer um gesto miúdo para indicar que os dois continuam caminhando na mesma direção”, sugere a reportagem da Folha.

Completa a Folha, expondo seu temor:

“É uma linha de crédito de curto prazo. Ainda que Haddad termine a semana com o respaldo público do presidente, as dúvidas em relação à disposição de Lula de abraçar algumas medidas de corte de despesas amanhecerão na mesa do ministro na próxima segunda-feira”, conclui.

O Globo, por seu lado, foi mais explícito na manifestação das dúvidas sobre o aval de Lula às medidas de corte anunciadas por Haddad, Simone e Alckmin, através da repórter Vera Magalhães, em sua coluna, com o título:

Haddad fala em cortar gastos, mas terá aval de Lula?

Diz Vera, sobre sua dúvida:

“O discurso de que o governo vai propor alternativas de “A a Z” para reduzir gastos, entoado nesta quinta-feira pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) é uma reação ao mal estar generalizado provocado nos meios econômicos e políticos à desastrada Medida Provisória que procurava rever as compensações de créditos tributários de PIS/Cofins e o reconhecimento, ainda que tardio, de que estão muito restritos os caminhos para promover o ajuste fiscal apenas buscando formas de aumentar a arrecadação, como tem sido a tônica do governo desde 2023.

Resta saber se os ministros da equipe econômica terão o aval de Lula para essa empreitada, uma vez que ainda na véspera da fala de Haddad e Tebet o presidente reforçou que investimentos não devem ser afetados, pois haveria a necessidade de corrigir injustiças sociais, e que o ajuste seria feito pela via do aumento de arrecadação”

Prossegue Vera:

“Uma das provas de que o discurso dos titulares da Fazenda e do Planejamento é novo é que Haddad foi aconselhado, inclusive por Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, a recolher a MP para novas discussões, e resistiu. O resultado foi sua devolução pelo presidente do Senado, ampliando a derrota para o governo.”

Enfim, resta esperar a reação de Lula e que os temores não se confirmem.

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