Diretor da PRF é obrigado a se explicar ao TSE sobre blitzes que dificultam locomoção de eleitores no Nordeste

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, chegou por volta das 14h na sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Ele entrou pela garagem, sem dar declarações. A visita ocorre em meio a cobranças do presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, sobre operações que miram em transporte de eleitores realizadas pela corporação…

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, chegou por volta das 14h na sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Ele entrou pela garagem, sem dar declarações.

A visita ocorre em meio a cobranças do presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, sobre operações que miram em transporte de eleitores realizadas pela corporação neste domingo de eleição. No sábado, Moraes havia proibido estas ações.

Prefeitos e eleitores de cidades do Nordeste ouvidos pelo GLOBO denunciam que as operações, com blitzes da PRF na região, tem prejudicado que eleitores se dirijam às suas zonas eleitorais.  

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, determinou que o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, preste explicações sobre operações realizadas pela corporação neste domingo. A determinação tem como base um vídeo publicado pelo prefeito de Cuité, no interior da Paraíba, em que mostra agentes realizando uma ação na entrada da cidade localizada a 200 quilômetros de João Pessoa.

— O povo da zona rural está intimidado e não está vindo votar. Muitas pessoas não vieram votar por medo de ter que passar pela blitz montada pela PRF na principal entrada da cidade. Estão na entrada da cidade com uma viatura e um reboque, fazendo ainda testes de bafômetro — afirmou ao GLOBO o prefeito de Cuité, Charles Cristiano Inácio da Silva (Cidadania). A cidade tem 17 mil eleitores, dos quais 40% vivem na zona rural.

Prefeitos e eleitores de cidades do Nordeste fazem relatos de operações semelhantes, com blitzes da PRF na região. Segundo dados internos da corporação obtidos pelo GLOBO, foram 560 operações de abordagens a ônibus de passageiros até as 15h deste domingo. Questionada, a PRF não se pronunciou ainda.

Na noite de sábado, contudo, Moraes proibiu operações da corporação relacionada ao transporte de eleitores neste domingo,  “sob pena de responsabilização criminal do Diretor Geral da PRF, por desobediência e crime eleitoral”.

Ele ainda determinou multa de R$ 150 mil por hora de descumprimento. “A Justiça Eleitoral tem envidados esforços para garantir o transporte público gratuito ao eleitor, como forma de assegurar o direito de voto a todos os eleitores com democrática ampla, não havendo razões a permitir embaraços nesse sentido”, escreve ele na decisão.

A determinação de Moraes atendeu a um pedido do deputado reeleito Paulo Teixeira (PT-SP), que denunciou à Corte um suposto uso eleitoral da PF e da PRF em benefício da candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

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