Pesquisa do Datafolha divulgada nesta quarta-feira (24) indica que a maior parcela dos brasileiros se identifica com a direita. Do total de entrevistados, 35% disseram se posicionar nesse campo político, enquanto 22% afirmaram ser de esquerda.
Outros 17% se colocaram no centro, 11% se declararam de centro-direita e 7% de centro-esquerda. Já 8% disseram não saber ou preferiram não responder.
O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 113 municípios do país, entre os dias 2 e 4 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Ao observar o conjunto das respostas, a soma dos que se dizem de direita e centro-direita chega a 46%, enquanto esquerda e centro-esquerda alcançam 29%.
O centro, com 17%, aparece como uma posição relevante, especialmente entre jovens e eleitores com maior escolaridade, indicando um eleitorado fragmentado e menos homogêneo do que a polarização costuma sugerir.
Petistas e bolsonaristas
Quando os entrevistados foram convidados a se posicionar em uma escala de 1 a 5, em que 1 representa bolsonarista e 5 petista, 40% se classificaram como petistas e 34% como bolsonaristas. Outros 18% se disseram neutros, 6% afirmaram não apoiar nenhum dos dois grupos e 1% não soube responder.
O resultado mostra uma vantagem dos simpatizantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda que a distância entre os dois polos seja menor do que a observada na autodeclaração ideológica entre direita e esquerda.
Jovens, religião e o voto
Os recortes por escolaridade e idade evidenciam contrastes importantes. Entre os entrevistados com menor escolaridade, 41% se dizem de direita, 26% de esquerda e apenas 8% de centro. Já entre aqueles que concluíram o ensino médio, o centro reúne 21%, percentual próximo ao observado entre os que têm ensino superior, com 20%.
Na faixa etária de 16 a 24 anos, 30% se posicionam no centro, 26% à direita e 16% à esquerda. Entre pessoas com 60 anos ou mais, o cenário se inverte: 42% se dizem de direita, 25% de esquerda e apenas 9% de centro.
A religião também influencia o posicionamento: entre católicos, 36% se colocam à direita e 24% à esquerda, enquanto entre evangélicos esses percentuais são de 42% e 16%, respectivamente.
A pesquisa ainda revela divergências entre identidade ideológica e comportamento eleitoral. Entre os que se dizem de esquerda, 9% afirmaram ter votado em Bolsonaro em 2022. No grupo que se identifica com a direita, 22% declararam voto em Lula.
Mesmo entre os polos, há desencontros: 5% dos bolsonaristas disseram ter votado em Lula, enquanto 7% dos petistas afirmaram ter votado em Bolsonaro, sinalizando que o voto nem sempre acompanha a identidade política declarada.






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