O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), lançou nesta segunda-feira (2) o Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas — Enfoc, com a promessa de investimento de R$ 900 milhões em segurança pública. Ao longo de seu discurso, Dino defendeu a integração federativa em torno da segurança pública, destacando que o governo Lula (PT) não pode “fazer segurança sozinho, porque a Constituição impede”.
Dirigindo-se a secretários estaduais de segurança e comandantes das Polícias Militares, Dino afirmou: “nós precisamos de vocês. O governo federal não pode fazer segurança pública sozinho, porque a Constituição impede. E por isso precisamos trabalhar com os estados, inclusive para que vocês nos ensinem. Qual autoridade que eu tenho de chegar lá na Bahia e dizer o que é o certo? Eu tenho que conversar com a equipe que está lá na Bahia”.
O ministro negou também que o lançamento do programa teria sido uma resposta política à crescente crise de violência na Bahia.
“Esse plano está sendo construído há três meses, portanto ele não é uma resposta às crises, mas ele é útil. E qual é o centro da nossa preocupação neste programa? O nome diz: enfoque contra organizações criminosas a partir de um duplo pilar, inteligência e investigação. É um programa em que a nossa equipe vai trabalhar muito fortemente com as polícias judiciárias.”
Dino também atacou o que chamou de “falsas polêmicas”:
“A primeira: repressão versus prevenção, como se fosse conceitos antinômicos. A repressão é prevenção e a prevenção faz parte da atividade de enfrentamento ao crime. E por essa visão nós Lançamos o Pronasci, para dizer mais uma vez que não existe política de segurança pública sem prevenção e fatores sociais A outra falsa polêmica é entre planejamento e ação, como se houvesse um momento mágico em que o mundo para, nós editamos uma portaria, o mundo fica parado e nós vamos planejar, depois agir. Não temos essa opção porque ela não existe.”
Dino falou, ainda, sobre a polícia:
“Polícias: outra falsa contradição. As polícias estão sempre certas; as polícias estão sempre erradas. Quem disse isso? E é isso que está no debate público. Exageros, extremismos. E nós não podemos incorrer nisso. Não é verdade que as polícias estão sempre certas, e é injusto dizer que as polícias estão sempre erradas. Nós precisamos apoiar e qualificar as polícias, e é isto que estamos fazendo. A outra contradição falsa é entre inteligência e força. Quando o uso da força infelizmente se revela ineficaz, vem essa palavrinha mágica, ‘inteligência’, como se fosse uma espécie de pedra filosofal que fosse resolver todos os problemas. Nós temos como fazer a segurança apenas sabendo o que está acontecendo? Não. Nós temos que incidir sobre a realidade. É falsa a ideia de que todos os problemas de segurança do país vão se resolver apenas com inteligência ou apenas dando tiro a esmo”, concluiu.
Com informações do 247.





