Dino aciona PGR e AGU em ações que contestam regras de emendas após aprovação de PEC da Blindagem na Câmara

Ministro do STF quer manifestações antes de liberar processos para julgamento em plenário; casos envolvem emendas Pix e execução obrigatória de repasses

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (17) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestem em três ações que questionam a legalidade e a forma de execução de emendas parlamentares. As manifestações deverão ser apresentadas em até 15 dias, e só depois disso os processos serão liberados para julgamento no plenário da Corte.

A decisão ocorre em um momento de tensão entre o Legislativo e o Judiciário. Um dia antes, a Câmara dos Deputados aprovou a chamada PEC da Blindagem, que dificulta a prisão e a abertura de ações penais contra parlamentares, transferindo ao próprio Congresso a prerrogativa de decidirnse um deputado ou senador se tornará réu.

Emendas Pix no centro das ações

Duas das ações em análise tratam das chamadas emendas Pix, transferências especiais nas quais os recursos são enviados diretamente para municípios sem necessidade de convênios ou projetos. Esses processos foram apresentados pela própria PGR e pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que alegam risco de falta de transparência e de fiscalização sobre o destino do dinheiro público.

A terceira ação foi protocolada pelo PSOL e discute a execução obrigatória das emendas parlamentares, apontando que essa prática engessa o orçamento e compromete a autonomia do Executivo na definição de prioridades de gastos.

No despacho, Dino destacou: “Com vistas à inclusão das presentes ações na pauta de julgamento do Plenário do STF, reitero a determinação (…) para que a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República se manifestem, sucessivamente, cada qual no prazo de 15 (quinze) dias (…), acerca do mérito das ações diretas”.

Antecedente do orçamento secreto

Além dessas três ações, Dino também é relator de um processo mais antigo, no qual o STF já declarou inconstitucionais as emendas de relator, conhecidas como orçamento secreto. Naquele julgamento, a Corte entendeu que a falta de transparência e o uso político dos recursos violavam a Constituição.

Ao assumir a relatoria desses casos, o ministro tem mantido postura de cobrança por mais clareza na aplicação das verbas. Em algumas ocasiões, chegou a suspender repasses considerados suspeitos.

Suspensão de repasses recentes

A decisão mais recente ocorreu na segunda-feira, quando Dino suspendeu a liberação de emendas Pix destinadas a nove municípios. A medida foi tomada após a Controladoria-Geral da União (CGU) identificar indícios de irregularidades na aplicação desses recursos.

O julgamento das ações deve reacender o debate sobre os limites da autonomia parlamentar no uso de emendas e o papel de fiscalização do Judiciário. A expectativa é de que o plenário do STF enfrente não apenas o mérito das regras atuais, mas também o impacto político de possíveis mudanças em um dos principais instrumentos de articulação entre Executivo e Legislativo.

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