Dezoito governadores acionam PMs para liberar estradas bloqueadas por bolsonaristas. Quarta-feira começou com 191 pontos interditados

Governadores de 17 estados e do Distrito Federal acionaram as polícias militares para liberar as rodovias bloqueadas por bolsonaristas a partir da noite de domingo, para protestar contra a vitória de Lula e pedir um golpe militar. Na terça-feira, milhões de cidadãs e cidadãos do Brasil continuaram a sofrer graves consequências dos bloqueios de estradas.…

Governadores de 17 estados e do Distrito Federal acionaram as polícias militares para liberar as rodovias bloqueadas por bolsonaristas a partir da noite de domingo, para protestar contra a vitória de Lula e pedir um golpe militar.

Na terça-feira, milhões de cidadãs e cidadãos do Brasil continuaram a sofrer graves consequências dos bloqueios de estradas. Na noite de segunda, a Polícia Rodoviária Federal contava mais de 420 pontos total ou parcialmente interditados.

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis não reconhece o risco de uma crise nacional de abastecimento dos produtos, mas identifica focos pontuais de desabastecimento em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás.

A Confederação Nacional da Indústria afirma que o escoamento da produção está prejudicado e que o transporte de cargas essenciais, como equipamentos e insumos para hospitais, também já foi afetado. A CNI prevê desabastecimento, inclusive de combustíveis, se o desbloqueio das rodovias demorar.

Caminhões carregados de ovos para a produção de vacinas precisaram de escolta para chegar ao Instituto Butantã, em São Paulo, com atraso de oito horas por causa dos bloqueios.

A Associação Brasileira de Supermercados identifica falta de mercadorias, principalmente em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará. Há desabastecimento de frutas, legumes e verduras, segundo a Abras.

A Associação Brasileira dos Centros de Diálise informou que, em consequência dos bloqueios, os estoques para tratamento de doentes renais começam a ficar em estágio crítico. Além disso, pacientes enfrentam dificuldade para chegar às clínicas.

O transporte rodoviário e o transporte aéreo de pessoas e de cargas está prejudicado. Em São Paulo, o aeroporto de Guarulhos cancelou cerca de 30 vôos, na noite de segunda e na manhã de terça, enquanto os terminais de ônibus interestaduais cancelaram 880 saídas e chegadas. Em Joinville (SC), outro exemplo, 39 ônibus com centenas de passageiros foram retidos por um dos bloqueios na BR-101.

No Rio, no início da noite, seis pontos de rodovias federais estavam interditados total ou parcialmente.

Na Via Dutra, ligação Rio-São Paulo, a polícia usou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.

Na rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo ao Sul do Brasil, os bolsonaristas fecharam as pistas com pneus de caminhões. A Polícia Militar paulista dispersou o grupo com bombas de efeito moral e liberou a estrada no meio da tarde.

No trecho gaúcho da BR-116, a tropa de choque da Polícia Rodoviária teve que usar tiros de borracha e bombas de gás lacrimogêneo pra acabar com um bloqueio que congestionava a estrada à beira da cidade de Novo Hamburgo.

A Polícia Rodoviária Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal que necessita de ajuda da Força Nacional para desbloquear as rodovias, porque não tem efetivo suficiente para a tarefa. No início da noite, a PRF afirmou que o número de bloqueios estava diminuindo e caíra para 213 pontos.

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