Dez cidadãos brasileiros estão na fronteira do Sudão com o Egito, aguardando o momento de fugir do território sudanês. O grupo é formado por uma servidora do Itamaraty e nove jogadores e membros da comissão técnica do time de futebol Al-Merrikh. O país vive um cenário de caos há dez dias, quando forças lideradas por dois generais rivais — que foram aliados no golpe de Estado de 2021, mas se tornaram inimigos depois — começaram um violento combate pelo controle do país. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os confrontos deixaram até agora mais de 420 mortos e 3,7 mil feridos.
Eles deixaram Cartum, capital do país, no domingo, em um ônibus fornecido pelo clube. Segundo um interlocutor do governo brasileiro, todos receberão assistência do Itamaraty assim que conseguirem entrar em território egípcio.
Não há previsão de quando os brasileiros conseguirão atravessar a fronteira devido à fuga maciça de pessoas que tentam deixar o Sudão. Desde meados deste mês, as ruas de Cartum são tomadas por confrontos entre paramilitares e forças do governo do país africano.
Até o momento, 15 brasileiros foram retirados de Cartum. Além do grupo que está na fronteira do Sudão com o Egito, uma médica vinculada ao Médico sem Fronteiras entrou no programa de retirada da ONG internacional e um pai com três crianças foram incluídos em um comboio da ONU.
O Itamaraty tentou levar os jogadores para o comboio, mas os carros da embaixada do Brasil não foram aceitos. Apenas ônibus podiam entrar.
Depois disso, já com o ônibus fornecido pelo time de futebol, o grupo procurou equipes europeias para sair do local. Porém, havia pessoas de outras nacionalidades e, por isso, não foi possível entrar. O grupo decidiu, então, seguir para fronteira.
Há outros cinco brasileiros fora da capital, que estão em situação de menor risco relativo. Essas pessoas estão sendo monitoradas pelo Itamaraty, que tem aconselhado, dependendo das circunstâncias, que todos permaneçam em segurança.
Neste momento, há um brasileiro em Cartum que quer deixar o Sudão. Ele não conseguiu se reunir com o grupo que está na fronteira, porque não havia segurança para chegar ao ponto de extração.
Diplomatas envolvidos no plano de retirada e busca de pontos de extração argumentaram que, enquanto os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia usaram grandes operações para retirar os funcionários das embaixadas do país, o governo brasileiro está centrado em salvar os cidadãos. A servidora que está agora no ônibus com os jogadores e comissão técnica do clube foi convidada a se juntar a outras representações, mas não aceitou, seguindo instrução do Itamaraty.
Com informações do GLOBO.





