Deputados reclamam dos vetos do governador a lei orçamentária de 2024

Lei sancionada por Cláudio Castro excluiu 18 textos complementares apresentados por deputados durante debate na Alerj, incluindo as emendas impositivas

Os vetos do governador Cláudio Castro às emendas parlamentares incluídas na lei do orçamento não foram bem digeridos por deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Eles entendem que o governador pesou a mão quando vetou até mesmo a normatização das emendas impositivas, uma novidade incluída na peça orçamentária para este ano. O Parlamento, no entanto, poderá derrubar os vetos em votação no plenário.

Durante a discussão da Lei Orçamentária Anual (LOA), a Comissão de Orçamento da Casa chegou a acolher mais de três mil textos complementares. Mas ao sancionar a Lei 10.277/24, publicada no Diário Oficial do Poder Executivo na quarta-feira (10/01), o governador suprimiu justamente alguns artigos que os deputados haviam apresentado ao longo do debate.

Castro justificou os vetos utilizando o Princípio Orçamentário da Exclusividade, que afasta a possibilidade de a Lei Orçamentária Anual (LOA) conter dispositivo estranho à previsão de receita e à fixação de despesas, conforme consta na Constituição Federal. Isso incluiu temas da dívida pública, receitas fiscais, de royalties e participações especiais.

“Talvez ele (governador Cláudio Castro) não tenha percebido que esta é uma LOA que não segue o ritual normal, pois tem despesas maiores que a receita com déficit de R$ 8,5 bilhões. As emendas apenas destacavam essas discrepâncias. Foi vetado até mesmo aqueles que tentavam normatizar as emendas impositivas. Houve uma mão muito pesada”, Luiz Paulo (PSD).

Especialista em assuntos tributários, o deputado lamenta que tenham sido vetados artigos a respeito da dívida do estado com a União e de incentivos fiscais. Para ele, a maioria dos artigos eram contributivos à própria LOA. Das 18 emendas vetadas, pelo menos 12 deveriam ter sido mantidas. O deputado também não vê contradição temática, como alegou o governador.

“Não vejo contradição temática. Uma contradição a ponto de não ter percebido e ter feito uma análise achando que tudo que foi colocado a mais na LOA seria estranho as receitas e despesas. Emenda impositiva não é estranha, e muito menos benefício fiscal”, alega, dizendo que agora é aguardar a decisão do plenário.

Já o deputado Carlos Minc (PSB) tem plena certeza de que os vetos dos artigos referentes às emendas impositivas serão derrubados. “No caso das emendas impositivas, estamos seguindo o exemplo de Brasília, e de forma mais modesta. Isso foi algo consensual e tenho certeza de que será derrubado. É um acordo que envolve as lideranças, Mesa Diretora e todas as bancadas”, lembra. 

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