Deputado milionário diz que taxar ricos é um ‘escárnio’ e reclama do preço do iPhone: ‘Não é justo’

O parlamentar bolsonarista Cabo Gilberto declarou mais de R$ 1 milhão em bens e atacou proposta que prevê compensação pela cobrança sobre os mais ricos

O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB) se manifestou nesta quarta-feira (1º) contra o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, informa a colunista Thais Bilenky, do portal UOL.

Em discurso na Câmara, o parlamentar criticou a ideia de compensar a medida com aumento da tributação sobre os mais ricos, proposta apresentada pelo relator Arthur Lira (PP-AL). Segundo ele, essa seria mais uma forma de injustiça contra o que chamou de “andar de cima”.

“Os senhores viram agora o lançamento do iPhone, a maior propaganda do mundo. Pagamos o segundo mais caro iPhone do planeta. Todo mundo aqui anda de carro. Pagamos o carro mais caro do planeta. Não é justo. Isso é um escárnio com o suado dinheiro do contribuinte”, declarou.

Patrimônio declarado e críticas ao governo

Na eleição de 2022, Cabo Gilberto Silva declarou patrimônio superior a R$ 1 milhão, incluindo cinco imóveis, dois automóveis e cerca de R$ 100 mil investidos em Letra de Crédito Imobiliário (LCI) — modalidade que era isenta de Imposto de Renda até semanas atrás.

Durante a sessão, ele reforçou que não concorda com a lógica de repassar a conta da isenção para contribuintes de renda mais alta. “Como será a compensação? Será [com] o governo federal tendo vergonha na cara e reduzindo gastos. Ele quer fazer isso? Não. Mas colocou seu ministro da propaganda para colocar a população contra os parlamentares”, disse.

Histórico de posicionamentos

Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Cabo Gilberto tem adotado uma postura crítica ao governo Lula e a medidas de impacto fiscal defendidas pela base governista. No ano passado, ele votou a favor da chamada PEC da Blindagem, que dificultava investigações sobre parlamentares e gerou protestos em várias capitais do país contra a Câmara.

O projeto de isenção do IR, por sua vez, foi aprovado por ampla maioria, com 493 votos favoráveis e nenhum contrário, e agora segue para o Senado. A posição de Cabo Gilberto Silva destoou da unanimidade registrada em plenário, evidenciando o caráter mais político do que técnico de sua manifestação.

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