A desavença entre o deputado estadual Filippe Poubel (PL) e o secretário municipal de Defesa do Consumidor, João Pires, ganhou novos contornos nesta sexta-feira (12). O homem de confiança de Eduardo Paes (PSD) acionou o Ministério Público do Rio sob acusação de falsidade ideológica, após o parlamentar apresentar à Justiça um atestado médico que o Hospital Municipal Miguel Couto afirma não reconhecer como válido.
De acordo com o secretário, o documento entregue por Poubel ao Judiciário informava que ele teria sido atendido na unidade na última quarta-feira (10) e precisaria de três dias de repouso. A Secretaria Municipal de Saúde, porém, diz não haver qualquer registro de atendimento do deputado na data citada e abriu uma sindicância para apurar a conduta do médico que assinou o documento.
“É uma vergonha que um deputado estadual utilize a Justiça para perseguir adversários e tentar censurá-los. Pior ainda é saber que o mesmo apresentou um atestado falso ao Tribunal de Justiça, demonstrando total desrespeito. Esse tipo de conduta é inaceitável”, afirmou Pires.
A troca de acusações entre os dois ocorre num contexto de rivalidade crescente. Pires e Poubel disputam espaço em São Gonçalo e vêm acumulando embates públicos desde agosto, quando o secretário fez críticas ao Estatuto das Blitzes e passou a ser alvo da tropa de choque da Alerj, da qual o deputado faz parte.
Atestado teria sido usado para justificar falta em audiência judicial
O documento foi apresentado por Poubel para tentar adiar, pela segunda vez, uma audiência contra João Pires, marcada para esta sexta-feira no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), e tratava de um processo movido pelo próprio secretário. Apesar do pedido, a Justiça manteve a audiência. O deputado, no entanto, não compareceu.
Chama a atenção o fato de que, na data em que o atestado indicava a necessidade de repouso, Poubel chegou a participar presencialmente da sessão plenária Alerj.
A resposta da Secretaria Municipal de Saúde endossou Pires. Em ofício enviado ao Judiciário, a pasta afirmou que não existe prontuário de atendimento do parlamentar no Miguel Couto e que o modelo de atestado utilizado não corresponde ao padrão atual das unidades de saúde da cidade. O documento foi emitido em papel antigo, sem lastro em registro clínico — o que fere normas municipais e determinações do Conselho Federal de Medicina.
O documento leva a assinatura do médico João Ricardo Ribas, ex-vereador do Rio pelo MDB. Em nota, Poubel afirmou que realizou uma consulta on-line devido a uma suspeita de Covid-19 e alegou que o profissional “se equivocou” ao preencher um formulário timbrado do Hospital Miguel Couto.
A sindicância da Secretaria Municipal de Saúde segue em andamento.
Nota do deputado
“O deputado Filippe Poubel fez uma consulta on-line, por estar com suspeita de Covid. O médico se equivocou ao registrar um atestado pelo Hospital Miguel Couto, e vai comunicar à Secretaria Municipal de Saúde“.






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