Depois do ex-deputado estadual, ex-chefe de Polícia Civil e delegado Álvaro Lins ter sido reintegrado à corporação, após 15 anos de sua demissão por envolvimento em um processo criminal, mais um policial envolvido na mesma ação conseguiu voltar à atividade. O inspetor Alcides Campos Sodré Ferreira teve a demissão revogada em ato do secretário estadual de Polícia Civil, Felipe Curi, publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (04). Alcides havia sido demitido em fevereiro de 2011.
Assim como Álvaro Lins, a volta do inspetor à Polícia acontece após uma revisão administrativa do governo do estado. A reintegração vale a partir do dia 14 de novembro. O policial não terá direito aos pagamentos retroativos desde a sua demissão, porque assinou Termo de Renúncia conforme determina a resolução que definiu as regras para os pedidos de revisão de casos de ex-servidores das forças de segurança do estado punidos administrativamente.
Alcides foi preso em 2007 na Operação Hurricane 2 da Polícia Federal (PF) de combate à máfia dos caça-níqueis. Foram presos 17 policiais civis e dois federais, além de integrantes do segundo escalão do jogo do bicho, ligados à máfia dos caça-níqueis. Alcides era o braço-direito do ex-chefe de Polícia Civil Ricardo Hallak, segundo reportagens publicadas na imprensa na época.
Em 2008, por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus a Ricardo Hallak e Alcides Campos Sodré Ferreira. Em seu voto, o relator concluiu que não havia elementos convincentes que justificassem a manutenção da prisão preventiva dos dois.
O retorno de Alcides e Álvaro Lins aos quadros da Polícia foi possível por causa da decisão do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que aceitou pedidos das defesas para que o processo envolvendo os dois fosse encaminhado à Justiça Eleitoral do Rio. O primeiro beneficiado foi Alcides, em novembro e 2023, Nunes Marques reconheceu a incompetência da Justiça Federal para analisar o caso e determinou a remessa da ação penal à Justiça Eleitoral.
Em 2005 o inspetor recebeu da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) moção de congratulação e louvor concedida pelo ex-deputado estadual Domingos Brazão, que está preso acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol).





