Deolane movimentou R$ 7 milhões em quatro anos, mas declarou 7,5% do valor à Receita, aponta investigação

Polícia Civil afirma que influenciadora é suspeita de integrar esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC após análise de movimentações financeiras

A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, realizada nesta quinta-feira (21), ampliou a repercussão de uma investigação da Polícia Civil que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.

Segundo os investigadores, Deolane declarou à Receita Federal apenas uma pequena parcela dos valores que circularam em suas contas bancárias entre 2018 e 2022.

De acordo com o relatório final do inquérito, a influenciadora recebeu R$ 7,6 milhões em créditos no período, mas informou oficialmente apenas R$ 577 mil ao órgão fiscalizador. O documento aponta indícios de lavagem e dissimulação de patrimônio envolvendo a facção criminosa.

A Polícia Civil afirma ter identificado uma “complexa engrenagem financeira estruturada em torno da pessoa Deolane Bezerra”. A decisão judicial que determinou sua prisão preventiva cita um padrão de vida considerado incompatível com as fontes de renda lícitas identificadas durante as investigações.

Quebras de sigilo

As investigações tiveram início em 2019 e avançaram após duas grandes quebras de sigilo bancário e fiscal. A primeira analisou movimentações entre 2018 e 2022. Já a segunda concentrou operações financeiras realizadas entre 2022 e 2024.

Segundo a polícia, os dados revelaram “um oceano de ilícitos de ordem financeira e fiscal”, especialmente relacionados ao branqueamento de capitais.

No caso de Deolane, os investigadores afirmam que a segunda quebra de sigilo apontou uma “assustadora intensificação” das práticas suspeitas. Somente entre 2022 e 2024, as movimentações atribuídas à influenciadora chegaram a R$ 43 milhões.

Ainda conforme o relatório, quase metade dos recursos recebidos nesse período teria origem não identificada.

Empresas na mira

Os investigadores também passaram a monitorar empresas ligadas à influenciadora. Uma delas, a Bezerra Publicidade, movimentou aproximadamente R$ 67 milhões no período analisado pela segunda quebra de sigilo.

A Polícia Civil afirma que os indícios de lavagem de dinheiro aparecem também na movimentação envolvendo fintechs. Entre 2018 e 2022, os valores recebidos dessas instituições ficaram abaixo de R$ 1 milhão. Já entre 2022 e 2024, os depósitos teriam alcançado R$ 30 milhões.

Para os investigadores, houve uma mudança considerada incompatível com a evolução natural das atividades empresariais da influenciadora.

O relatório também cita suspeitas sobre algumas fintechs utilizadas nas operações financeiras. Segundo a polícia, parte das empresas apresentaria inconsistências documentais e poderia funcionar como estrutura de fachada para circulação de recursos de origem desconhecida.

Prisão e defesa

Até a manhã desta sexta-feira (22), Deolane permanecia na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte de São Paulo. Posteriormente, ela foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.

Durante audiência de custódia, a influenciadora afirmou que foi presa no exercício da advocacia e alegou que passou a ser investigada em razão de valores recebidos como profissional da área jurídica.

A defesa informou que ingressou com pedido de habeas corpus e também solicitou a conversão da prisão preventiva em domiciliar. Os advogados alegam que ela possui uma filha de 9 anos e citaram entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre prisão domiciliar para mulheres com filhos menores de 12 anos.

Segundo o STF, o benefício pode ser concedido em casos de prisão preventiva, mas pode ser afastado conforme as circunstâncias específicas do processo.

Nota da defesa

A defesa de Deolane afirmou que ela é inocente e classificou as medidas judiciais como desproporcionais.

“Esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário”, declarou a equipe jurídica em nota.

Além de Deolane, a operação realizada na quinta-feira também teve como alvo Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, familiares dele e outros investigados. O advogado de Marcola afirmou que o cliente é inocente.

Bloqueio milionário

A decisão judicial que autorizou a operação também determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores vinculados a Deolane Bezerra e às empresas ligadas a ela.

Segundo a investigação, este foi o maior bloqueio patrimonial decretado entre todos os alvos da operação. Familiares da influenciadora também aparecem citados no inquérito que investiga o suposto esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC.

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