Delegado da PF ligado ao caso Marielle é preso por furto de R$ 500

Hélio Khristian Cunha de Almeida teria pago apenas parte das compras e tentado sair com cerca de R$ 500 em mercadorias, segundo a polícia

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O delegado aposentado da Polícia Federal Hélio Khristian Cunha de Almeida, que já foi investigado por suposta tentativa de obstrução das apurações sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, foi preso em flagrante nesta quinta-feira (20), na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Segundo informações da Polícia Militar, Hélio é suspeito de tentar deixar um supermercado localizado na Avenida das Américas sem pagar por cerca de R$ 500 em mercadorias. O caso foi registrado na 16ª DP (Barra da Tijuca), para onde ele foi levado após a abordagem.

De acordo com a PM, o delegado aposentado teria passado pelo caixa e pago apenas parte das compras. Os demais produtos teriam sido colocados em outras sacolas.

Abordagem no estacionamento

A suspeita foi percebida por um segurança, que abordou Hélio no estacionamento e acionou a gerência do supermercado.

Um funcionário afirmou à polícia que o delegado aposentado já teria adotado procedimento semelhante anteriormente no mesmo estabelecimento. Na ocasião, segundo o relato, ele teria sido orientado a pagar pelas mercadorias e acabou liberado.

A ocorrência desta quinta-feira não tem relação com as investigações sobre o assassinato de Marielle Franco. O nome de Hélio, no entanto, já apareceu nas apurações sobre o crime que matou a vereadora e o motorista Anderson Gomes.

Investigação no caso Marielle

Hélio Khristian foi investigado e chegou a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República sob acusação de participar de uma tentativa de obstrução das investigações.

O episódio envolvia o ex-policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, conhecido como Ferreirinha. Hélio e outros dois delegados levaram Ferreirinha ao então delegado Rivaldo Barbosa como uma testemunha que apontaria os supostos mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson.

Posteriormente, uma investigação da Polícia Federal concluiu que a testemunha havia sido plantada para atrapalhar as apurações. Hélio Khristian chegou a ser denunciado pela então procuradora-geral da República Raquel Dodge, mas acabou inocentado, e o caso contra ele foi arquivado.

Ferreirinha, por sua vez, foi condenado a quatro anos de prisão.

Outro processo

Antes de ser citado nas investigações do caso Marielle, Hélio Khristian já havia sido alvo de outra investigação criminal. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por concussão em um processo relacionado a supostas irregularidades na condução de um inquérito da Polícia Federal aberto em 2005.

A Justiça Federal absolveu o delegado por considerar que não havia provas suficientes de que ele tivesse exigido vantagem indevida.

Hélio também respondeu a processo administrativo disciplinar pelas irregularidades apontadas na condução daquela investigação. Uma eventual sanção, porém, não chegou a ser aplicada em razão da prescrição.

Aposentado da Polícia Federal, o delegado ainda responde, segundo as informações divulgadas sobre o caso, a um processo disciplinar por suspeita de extorsão.

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