A fala do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante uma entrevista no dia da votação, levantou preocupações sobre abuso de poder político, o que poderia resultar em sua inelegibilidade, avaliam especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo. O governador, ao comentar sobre a violência nas campanhas eleitorais, afirmou ter recebido informações de que o PCC teria orientado o voto em Guilherme Boulos (PSOL), adversário de Ricardo Nunes (MDB), apoiado por Tarcísio.
Essa declaração gerou reações imediatas e, no mesmo dia, a campanha de Boulos protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) na Justiça Eleitoral, que pode levar à inelegibilidade de Tarcísio, do candidato Ricardo Nunes (MDB) e do vice Mello Araújo por até oito anos, além da cassação da chapa.
Especialistas em direito eleitoral consultados afirmam que existem elementos suficientes para que a fala de Tarcísio seja considerada um abuso de poder. O advogado Fernando Neisser destacou que a veracidade das informações não é relevante para a análise do abuso de poder político, que deve ser apurado pela Polícia Federal e não pela Polícia Civil, evitando assim influências locais.
O governador foi questionado sobre a origem das informações que mencionaram o PCC, mas o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) declarou que não tinha conhecimento oficial sobre o caso.
A Secretaria da Segurança Pública também confirmou que houve interceptação de mensagens atribuídas a facções criminosas, indicando candidatos em municípios como Sumaré e Santos. Neisser e outros especialistas argumentam que a divulgação de tais informações durante a eleição, sem comprovação adequada, pode ser vista como uma manobra para desequilibrar a disputa.
Vânia Aieta, da UERJ, observou que a ação contra Tarcísio possui fundamento jurídico sério e que sua fala teve um viés eleitoral, visando desinformar o eleitorado.
Além disso, Volgane Carvalho, da Universidade de Fortaleza, ressaltou que mesmo que Nunes não tenha se envolvido diretamente, ele pode ser responsabilizado por se beneficiar de ações abusivas. Assim, a declaração de Tarcísio não apenas pode afetar sua posição, mas também a legitimidade de toda a chapa em questão.





