Debate Band Rio: ‘Em meio ao embate entre a extrema direita, a esquerda e o prefeito, moderado fica sem lugar’, analisa O Globo

Paes usou e abusou de números de sua gestão

O debate da Band, que historicamente marca o início da corrida eleitoral, permitiu esclarecer na noite desta quinta-feira, 8, analisa O Globo, os papéis que cada um dos cinco principais nomes da disputa carioca pretende desempenhar.

O menos surpreendente foi, é claro, o prefeito Eduardo Paes. Disparado o mais conhecido do eleitor, tentando seu quarto mandato, Paes usou e abusou dos números e dados de sua gestão, tentou levar os adversários a comentarem sobre programas que desenvolveu e evitou revidar os ataques sofridos.

A seu favor, Paes usou dois trunfos: a herança maldita recebida de Crivella em setores como saúde e transportes, e a responsabilização do governador Cláudio Castro pela crise de segurança. Quando necessário, brandia as cartas apontando-os como aliados de seus adversários mais agressivos, Alexandre Ramagem e Rodrigo Amorim.

A dobradinha dos dois candidatos da direita foi a principal revelação do debate. Se ainda havia dúvidas se Amorim tentaria um caminho próprio como o “verdadeiro” bolsonarista ou se faria escada para Ramagem, elas acabaram. Seu papel na eleição será o de realizar as agressões radicais contra Paes e Tarcísio Motta, deixando para Ramagem o papel de “bolsonarista” light. O baixíssimo nível usado por Amorim, que surgiu na política com a grotesca quebra da placa de Marielle Franco após seu assassinato, só não comprometeu o debate pela ponderação dos demais presentes.

Ramagem optou por assumir a versão de bolsonarista com preparo. O deputado e ex-delegado fez o dever de casa e estudou os principais temas. Além de martelar o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro inúmeras vezes, conseguiu responder sobre transporte, segurança e de outras questões da administração municipal sem parecer completamente vazio.

Tarcísio Motta, velho conhecido do eleitor carioca, só se mostrou em forma a partir do segundo bloco, quando partiu para cima de Ramagem lembrando a ação de Bolsonaro na pandemia, e apelidou Amorim de “Padre Kelmon” carioca. Em busca do voto da esquerda, foi o único a falar de Lula, festejou o apoio de parte do PT e brandiu as bandeiras do SUS e do serviço público. Depois de Paes, foi quem melhor demonstrou conhecer administrativamente a cidade.

Em meio ao embate entre a extrema direita, a esquerda e o prefeito no cargo, Marcelo Queiroz ficou sem lugar. Tentou cumprir um papel de moderado com posições também “de direita”, e com conhecimento administrativo. Mas faltou a verve de Tarcísio, o radicalismo da dupla Ramagem-Amorim e o conhecimento de Paes.

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