De volta para casa: Prefeitura do Rio impede leilão de obras de Mestre Valentim em São Paulo

O objetivo é recuperar as obras, que pertenciam a igreja demolida no Centro do Rio nos anos 1940, e doá-las ao Museu de Arte do Rio (MAR)

Obras de arte atribuídas ao Mestre Valentim, salvas na hora! Em uma ação rápida, a Prefeitura do Rio conseguiu impedir a venda de três peças em leilão em São Paulo na noite desta terça-feira (4). As obras, com lance inicial de R$ 900 mil, ao menos uma delas atribuída ao renomado escultor Mestre Valentim, teriam pertencido ao acervo da Igreja de São Pedro dos Clérigos, demolida em 1944 para a abertura da Avenida Presidente Vargas, no Centro.

A prefeitura agiu com a publicação de dois decretos no Diário Oficial: um de tombamento e outro de desapropriação por utilidade pública. A medida, segundo o prefeito Eduardo Paes, visa “proteger a memória cultural carioca”.

O objetivo da prefeitura é recuperar as obras e doá-las ao Museu de Arte do Rio (MAR). “Não nos parece ser esse o caso [de venda], mas também estamos cada vez mais atentos no combate ao chamado mercado ilegal das obras de arte”, afirmou Paes.

Leilão suspenso

Diante da decisão da prefeitura, o leiloeiro Luiz Fernando Moreira Dutra suspendeu as vendas e aguarda o desenrolar dos acontecimentos. As obras integram o acervo dos colecionadores paulistas Cárbia Sabatel de Bourrol e José Celestino Monteiro de Barros Burroul, membro da Academia Paulista de História.

Dutra criticou a decisão da prefeitura, alegando que “se o bem está preservado se deve ao colecionador. Não ao estado ou à Igreja. Não deveria ser punido por isso”.

História da Igreja

A Igreja de São Pedro dos Clérigos, considerada por muitos a maior joia barroca da cidade, foi demolida em 1944 para a construção da Avenida Presidente Vargas. Apesar dos protestos de fiéis, historiadores e arquitetos, a demolição foi concretizada. Obras de arte, talhas e outros elementos da igreja foram retirados, mas com o tempo se dispersaram em museus, templos e até mesmo em mãos de particulares.

Recuperação da memória

A ação da prefeitura do Rio é um passo importante para recuperar a memória cultural da cidade e garantir que obras de valor histórico e artístico como as de Mestre Valentim sejam preservadas para as futuras gerações.

Quem foi o Mestre Valentim

Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim, foi um escultor, entalhador e arquiteto. Era filho de um fidalgo português, que atuava como contratador de diamantes no Distrito Diamantino, com uma negral. Ele nasceu na capitania de Minas Gerais e foi levado à Europa pelo pai em 1756.

Após a morte do pai voltou ao Brasil com a mãe e parentes paternos. Não se sabe se já tinha iniciado sua formação artística em Portugal ou se a realizou toda no Brasil, sob a orientação de Luís da Fonseca Rosa.

O que se sabe é que se instalou no Rio de Janeiro e se tornou um artista célebre, procurado para serviços de talha, escultura e moldes de peças de luxo em metal. Valentim foi o primeiro a produzir estátuas fundidas em bronze no Brasil. Posteriormente essa atividade foi proibida por conta dos riscos à Coroa portuguesa representado pela possibilidade de fundição de armas na colônia.

A obra de Mestre Valentim é composta por talhas para igrejas do Rio, esculturas — em madeira e em metal —, riscos para peças em metal, muitos presentes em igrejas e obras urbanísticas no Rio, para as quais foi designado pelo amigo e protetor D. Luís de Vasconcelos e Souza.

Com informações de O Globo

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