Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), morreu neste domingo (22) durante uma operação militar no estado de Jalisco, no México. Ele era considerado um dos traficantes mais poderosos do país e estava entre os criminosos mais procurados pelas autoridades mexicanas e americanas.
Oseguera comandava uma das maiores organizações do narcotráfico da América Latina, com atuação internacional e forte presença no tráfico de drogas sintéticas, especialmente metanfetamina e fentanil, segundo a agência antidrogas dos EUA (DEA).
De policial a chefe de cartel
Nascido em 1966 em uma família de produtores de abacate em Michoacán, a trajetória de Mencho foi marcada por idas e vindas entre a legalidade e o crime. Nos anos 1980, imigrou ilegalmente para os Estados Unidos, onde foi condenado por tráfico de heroína em 1992. Após cumprir pena na Califórnia, foi deportado.
De volta ao México, seguiu um caminho irônico: trabalhou como policial municipal em Cabo Corrientes, no estado de Jalisco. No entanto, o cargo servia de fachada para sua atuação como braço armado do Cartel do Milênio. Foi essa experiência tática na polícia que permitiu a Mencho, anos depois, criar uma organização com disciplina e armamento de guerra.
A ascensão e o ‘império do fentanil‘
O CJNG foi fundado em 2010 a partir de dissidências do Cartel de Sinaloa e do Milênio. Mencho consolidou seu poder por meio de uma estratégia “diplomática”: o casamento com Rosalinda González Valencia, irmã dos líderes de Los Cuinis, grupo que se tornou o braço financeiro do cartel, segundo a inteligência do México e dos EUA.
Sob o comando de Mencho, o CJNG diversificou os negócios e se tornou um dos maiores produtores de drogas sintéticas do mundo — o que garantiu a Mencho o famoso apelido de “rei do fentanil”, o opioide que causou uma crise de saúde pública sem precedentes nos Estados Unidos. O cartel, segundo a DEA, chegou a operar em mais de 40 países. Autoridades americanas apontavam ainda o CJNG como um dos principais fornecedores de fentanil ilícito para o mercado internacional e responsável por operações de tráfico e lavagem de dinheiro em vários continentes.
O grupo ganhou notoriedade pela violência e pelo uso de armamento pesado. Em 2015, integrantes derrubaram um helicóptero militar durante confrontos com forças de segurança mexicanas, episódio que marcou a escalada do poder do cartel.
Caçada a Mencho
Nos últimos anos, Mencho enfrentava problemas de saúde, incluindo insuficiência renal crônica, segundo autoridades mexicanas. O traficante teria construído seu próprio hospital clandestino na selva de Jalisco para realizar sessões de diálise sem ser detectado pelos radares da inteligência americana e mexicana.
A operação militar que resultou em na morte do traficante ocorreu em Tapalpa, reduto histórico do CJNG. A confirmação do óbito gerou uma reação imediata do crime organizado, com bloqueios de rodovias e veículos incendiados em estados como Jalisco e Guanajuato.
Mesmo com a morte do líder, o CJNG continua sendo uma das principais organizações criminosas do México e mantém presença em diversas regiões do país. A estrutura descentralizada do grupo, com atuação de células regionais, é apontada por autoridades como um fator que pode permitir a continuidade das operações mesmo após a perda de seu principal chefe.






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