O candidato do PSDB em São Paulo, o apresentador José Luiz Datena (PSDB), reafirmou nesta quinta-feira que não irá desistir de sua candidatura, apesar de ter caído nas pesquisas de intenções de voto — segundo a Quaest divulgada nesta semana, o tucano recuou de 19% para 12% em um mês.
Em sabatina da GloboNews, Datena disse que cair nas pesquisas “é do jogo” e atribuiu a queda ao seu mau desempenho no primeiro debate entre os candidatos, realizado pela TV Bandeirantes.
— Entrei na campanha com o prestígio que adquiri na televisão. Quando chegou ao debate, eu não estava acostumado com as regras do jogo, não sei se vou me acostumar. E fui atrapalhado pelo prefeito. Como eu não tenho experiência em debate, eu fui mal — admitiu Datena.
O apresentador disse que chegou a conversar com lideranças do PSDB para que avaliassem uma mudança de estratégia, como uma eventual aliança com algum outro candidato, mas que o partido bateu o pé e manteve o apoio à sua candidatura. Datena disse que enfrentou um “silêncio ensurdecedor” em seu celular após o resultado da pesquisa Quaest flagrar sua queda, e avaliou que escolheu a “eleição errada” para lançar seu nome nas urnas.
— Essa é a eleição mais difícil. Eu me apresentava como um candidato contra a polarização, dizendo que nem Bolsonaro nem Lula vão mandar em São Paulo. O Boulos é marionete do Lula, e o Nunes quer ser marionete do Bolsonaro. Sou contra isso. Eu era o novo. Aí, de repente, apareceu um cara completamente fora da curva, com o qual eu não comungo de nenhuma ideologia. Nas outras eleições, eu com certeza ganharia. Agora, ninguém sabe quem vai ganhar essa eleição. E como ninguém sabe quem vai ganhar, talvez eu possa ganhar — disse.
O “cara fora da curva” citado por Datena é o candidato Pablo Marçal (PRTB). O tucano protestou contra a estratégia do ex-coach de produzir cortes para as redes sociais destacando seus melhores momentos nos debates para minimizar os adversários e colocá-los para “fazer papel de bobos”. Para Datena, a tática de Marçal representa um “risco à democracia”.
— O Marçal montou um programa de internet para usar todos nós candidatos como pólos passivos para fazer o showzinho ali na internet. Quando perceberam o risco que aquilo oferecia para a democracia, já era tarde. O que o Pablo fez foi simplesmente chutar a democracia. Usou a todos nós para fazer cortes e se vender para o público dele. Ele tem que ser parado, não pode continuar. Por que eu tenho que me afastar quatro meses do meu trabalho para participar de uma campanha, e a ele é permitido falar sobre política? — questionou o apresentador, defendendo que Marçal “tem que ser parado pela Justiça Eleitoral”.
Aos 67 anos, Datena afirmou que gostaria de ser senador da República, mas disse que não tentará uma vaga no Congresso caso não seja eleito prefeito.
Plano de governo e propostas
O tucano reconheceu que seu plano de governo, que traz propostas consideradas “genéricas” pelos adversários, “parece etéreo”, mas na verdade é “simples e palatável”, sem trazer “propostas eleitoreiras”:
— O plano de governo é muito mutável. Você saindo na rua, esses planos podem ser acrescidos do que mais interessa para a população. O que adianta construir um plano de governo com números? Não adianta. E muito candidato engana a população.
A falta de detalhamento no programa de governo faz com que o candidato também tenha dificuldades para defender a viabilidade orçamentária de suas propostas. Para várias ideias, disse que precisará antes “tomar pé” da situação real dos cofres da prefeitura.
— É claro que eu vou obedecer a regra fiscal. (…) É muito dinheiro que a prefeitura recebe, como é que não tem dinheiro? Não tem dinheiro porque é uma roubalheira desgraçada. (…) Vou raspar o tacho da prefeitura. O dinheiro vai para qualquer lugar, só não vai ficar guardado em investimento — declarou.
Dentre as propostas apresentadas pelo candidato, Datena defendeu ampliar o horário de funcionamento das unidades básicas de saúde (UBSs) em duas horas e fazer o mesmo com as creches da rede pública. Falou ainda em aumentar o número de escolas que oferecem ensino em tempo integral e criticou o prefeito Ricardo Nunes (MDB) na gestão da educação em São Paulo.
Sobre a cracolândia, Datena disse que “o prefeito sozinho não consegue resolver o problema” e defendeu que a prefeitura seja uma “catalisadora” para elaborar ações com a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Federal para “identificar quem são os criminosos que lucram milhões na cracolândia”.
Datena afirmou que os dependentes químicos que frequentam a região “têm que ser tratados com carinho”.
— É necessário usar inteligência para enfrentar esse problema. É preciso rastrear e cortar o fornecimento de drogas na região. Se não combatermos o fluxo de drogas e as milícias envolvidas, e não tivermos contato direto com o governador e usarmos todos os recursos legais disponíveis, não adianta. Tem que colocar o traficante na cadeia e jogar a chave fora.
Sabatinas GloboNews
A GloboNews faz nesta semana uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de São Paulo e do Rio de Janeiro. As sabatinas acontecem sempre às 22h30 e têm 1h30 de duração. Em São Paulo, serão conduzidas por Natuza Nery, e, no Rio de Janeiro, por Miriam Leitão. O canal convidou os candidatos que marcaram pelo menos 5% de intenções de voto e estão entre os cinco primeiros colocados na última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 22. Um sorteio definiu a ordem:
- Segunda-feira (26): Pablo Marçal (PRTB)
- Terça-feira (27): Ricardo Nunes (MDB)
- Quarta-feira (28): Guilherme Boulos (PSOL)
- Quinta-feira (29): José Luiz Datena (PSDB)
- Sexta-feira (30): Tabata Amaral (PSB)
Com informações de O Globo





