Uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada no Dia da Consciência Negra, revelou que a maioria dos brasileiros que se autodeclara pardo não se reconhece como negro. Segundo o levantamento, apenas 40% dos pardos afirmam se identificar como negros, enquanto 60% dizem não adotar essa visão. Por outro lado, entre os que se declaram pretos, 96% se consideram negros, enquanto 4% não compartilham dessa autopercepção.
O estudo também destacou diferenças nos relatos de discriminação racial entre os grupos analisados. Apenas 17% dos pardos relataram ter enfrentado preconceito em razão da cor da pele, índice que aumenta significativamente para 56% entre os pretos. Já entre os brancos, o percentual é ainda menor, atingindo apenas 7%, o que reforça as desigualdades nas experiências raciais no país.
A pesquisa revelou ainda que 65% dos brasileiros entendem a categoria “negra” como a soma de pretos e pardos. Essa definição foi formalizada apenas em 2010, com a sanção do Estatuto da Igualdade Racial, que estabeleceu oficialmente a população negra como composta por pessoas autodeclaradas pretas e pardas. Entre os pretos, a concordância com essa visão chega a 77%, enquanto entre os pardos, embora a maioria (67%) compartilhe dessa compreensão, muitos ainda não se identificam individualmente como negros.
Outro dado relevante da pesquisa é a percepção sobre o aumento do racismo no país. Cerca de 45% dos brasileiros acreditam que a discriminação racial se intensificou nos últimos anos. Entre os pretos, essa percepção é ainda maior, atingindo 54%, enquanto 35% dos brancos apontam esse crescimento. Os números refletem as distintas vivências e experiências de cada grupo no contexto das desigualdades raciais no Brasil.
Ainda segundo o levantamento, 35% dos participantes afirmam que o racismo no Brasil permaneceu igual e 20% que ele tem diminuído. O instituto perguntou também o local onde mais a discriminação estava presente e 56% disseram que é na atitude das pessoas. Outros 27% responderam que o crime acontece nas estruturas institucionais, 13% disseram que nos dois e 4% que não sabiam.
Questionados sobre qual o tamanho da parcela da população que discrimina negros pela cor da sua pele, 59% dos entrevistados acreditam que a maioria da população discrimina negros pela cor da sua pele. Outros 5% avaliam que todos os brasileiros são racistas, enquanto 30% responderam que uma menor parte da população é racista e 4% que ninguém o é.
Os dados indicaram também uma mudança na percepção de que a discriminação racial entre homens e mulheres. Enquanto 74% das entrevistadas consideraram que todos ou a maior parte dos brasileiros são racistas, número que fica em 53% entre o sexo masculino.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 113 municípios, entre os dias 5 e 7 de novembro, e tem margem de erro de 2 pontos percentuais para o total da amostra, 5 pontos para pretos, 4 pontos para brancos 3 para pardos.
Racismo é crime e no Brasil a pena é de reclusão de 2 a 5 anos, além de multa. A injúria racial, que é equiparada ao racismo, também tem a mesma pena.
Com informações de O Globo.





