Datafolha: Eleitores de Bolsonaro migram maciçamente para Nunes (83%); Lula transfere 65% dos votos para Guilherme Boulos

Cenário se mantém estável em comparação com a semana anterior, quando Nunes tinha 85% do apoio entre os bolsonaristas, e Boulos contava com 63% do voto dos eleitores de Lula

Na nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) continua atraindo a maioria dos eleitores de Jair Bolsonaro (PL), com 83% de apoio, e consegue captar 26% dos eleitores de Lula (PT) no segundo turno da eleição à Prefeitura de São Paulo. Já o candidato Guilherme Boulos (PSOL) conquista 65% do eleitorado do atual presidente Lula, mas apenas 5% daqueles que votaram em Bolsonaro em 2022.

O cenário se mantém estável em comparação com a semana anterior, quando Nunes tinha 85% do apoio entre os bolsonaristas, e Boulos contava com 63% do voto dos eleitores de Lula. A maior variação observada foi entre os eleitores de Lula que agora optam por Nunes, que passou de 31% para 26%, ainda dentro da margem de erro de quatro pontos percentuais.

Essa dinâmica mostra a dificuldade de Boulos em ampliar seu eleitorado para além dos eleitores tradicionais da esquerda, enquanto Nunes mantém uma base de apoio mais diversa.

Entre os votantes de Bolsonaro, 13% ainda afirmam que votarão em branco ou nulo, parcela que é menor no grupo de Lula (7%).

As mesmas tendências se repetem entre eleitores de Tarcísio de Freitas (Republicanos), grande fiador da campanha do prefeito, e Fernando Haddad (PT), cujo partido indicou Marta Suplicy como candidata a vice do deputado.

A pesquisa mostra que 81% dos que votaram no atual governador nas últimas eleições gerais vão optar por Nunes, e só 7%, por Boulos. Já entre apoiadores do atual ministro da Fazenda, a preferência é pelo psolista (64%), mas o emedebista tem 26%, números também parecidos aos da semana passada.

No cenário geral, o prefeito aparece na frente a dez dias do segundo turno, com 51%, contra 33% de Boulos.

Encomendada pela Folha e pela TV Globo, o levantamento entrevistou presencialmente 1.204 pessoas de terça (15) até esta quinta. A margem de erro geral é de três pontos percentuais — e sobe para quatro pontos entre eleitores de Lula e Haddad, e cinco entre eleitores de Bolsonaro e Tarcísio.

Nunes e Boulos disputam principalmente pelo eleitorado que escolheu o influenciador Pablo Marçal (PRTB) no primeiro turno, concentrado em bairros de classe média das zonas leste e norte da cidade e atraído, entre outras coisas, pelo discurso do empreendedorismo.

Na tentativa de se aproximar do eleitor bolsonarista que migrou para o autodenominado ex-coach, Nunes trocou a ênfase em obras de sua gestão por pautas conservadoras como drogas e aborto nas últimas semanas antes da votação, além de participar de uma série de encontros com pastores e fiéis.

Já o deputado decidiu dar atenção especial às propostas voltadas para trabalhadores precarizados de regiões periféricas da cidade, como motoristas e entregadores de plataformas de aplicativos, além de pequenos e médios empresários.

Em sabatina da Folha/UOL/RedeTV! nesta quinta — à qual Nunes faltou — ele disse que sua campanha “teve a compreensão e a humildade de fazer um mea culpa” sobre não ter atingido o eleitor desse segmento e admitiu que o campo progressista e da esquerda “não dialogou com uma parte importante dos trabalhadores”.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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