A investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo capítulo após vir à tona um contrato de R$ 5 milhões firmado entre o Governo do Distrito Federal e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à produtora responsável pelo longa-metragem.
O acordo foi celebrado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal em dezembro de 2023 e previa a implantação do programa Steam Maker em escolas da rede pública. A iniciativa tinha como objetivo promover a transformação digital do ensino por meio da integração de áreas como Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.
A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL e confirmada por O Globo nesta terça-feira (02).
Contrato foi ampliado após assinatura
Segundo os documentos do programa, o valor inicial da parceria era de R$ 4 milhões. Pouco mais de um mês após a formalização do acordo, foi autorizado um aditivo de R$ 1 milhão, elevando o montante total para R$ 5 milhões.
Além do aumento de recursos, o prazo de vigência também foi ampliado. O encerramento previsto para dezembro de 2024 foi prorrogado por mais um ano, estendendo a execução do projeto até dezembro de 2025.
O programa previa a instalação de chamados “laboratórios de criatividade inovador” em 16 unidades da rede pública de ensino do Distrito Federal.
Entre os equipamentos previstos estavam kits de robótica, impressoras 3D, computadores e outros recursos tecnológicos voltados ao desenvolvimento de atividades educacionais.
Investigação mira produtora de Dark Horse
A divulgação do contrato ocorre poucos dias após a Polícia Civil de São Paulo deflagrar a Operação Wi-Fi, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos para financiar a produção de “Dark Horse”.
A operação tem como alvo o Instituto Conhecer Brasil e sua presidente, a empresária Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme.
Os investigadores apuram se verbas recebidas pela ONG em contratos com a Prefeitura de São Paulo foram utilizadas para custear a produção cinematográfica.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados à empresária, às sedes da ONG e da produtora, além da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da capital paulista.
Suspeitas de confusão patrimonial
De acordo com documentos da investigação, a polícia trabalha com a hipótese de que tenha ocorrido confusão patrimonial entre organizações administradas por Karina Ferreira da Gama.
Em pedido de quebra de sigilo bancário, o delegado responsável pelo caso aponta suspeitas de que recursos públicos destinados ao programa WiFi Live SP possam ter sido desviados e posteriormente utilizados para financiar o longa-metragem sobre Bolsonaro.
A investigação também busca esclarecer a movimentação financeira envolvendo empresas terceirizadas contratadas para executar serviços ligados ao projeto de internet pública em São Paulo.
A empresária não se manifestou sobre o caso até o momento.
Conexão com Mario Frias
Karina Ferreira da Gama é apontada como aliada do deputado federal Mario Frias (PL-SP), que assina o roteiro de “Dark Horse”. O parlamentar também tem atuado como um dos principais divulgadores do projeto cinematográfico.
O filme ganhou repercussão nacional recentemente após a divulgação de mensagens que mostrariam cobranças do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro em busca de apoio financeiro para a produção.
Com o avanço das investigações, contratos firmados pelo Instituto Conhecer Brasil em diferentes estados passaram a ser analisados e atraíram atenção para a parceria milionária celebrada com o Governo do Distrito Federal.





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