A primeira exibição pública de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), transformou-se em um ato de forte conteúdo político nos Estados Unidos, segundo informações do jornal O Globo. Durante a estreia da produção em Las Vegas, o diretor Cyrus Nowrasteh afirmou esperar que o filme contribua para impulsionar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
A declaração ocorreu na segunda-feira, durante o Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate à Fraude), encontro que reúne representantes da extrema direita estadunidense e ativistas que defendem investigações sobre supostas irregularidades eleitorais. A exibição do longa encerrou o primeiro dia da convenção e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Ao comentar o impacto que espera alcançar com a produção, Nowrasteh associou diretamente a obra ao cenário político brasileiro.
“Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Cyrus, após a sessão.
A declaração ocorre em meio a questionamentos sobre a produção. Na semana passada, o PT acionou o Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal solicitando apuração sobre os recursos utilizados para financiar o filme e eventual uso eleitoral da obra.
Estreia em evento de direita
A estreia de Dark Horse aconteceu em um dos principais encontros da direita realizados atualmente nos Estados Unidos. O evento reúne palestras e debates sobre temas como integridade eleitoral, corrupção governamental e políticas públicas.
Eduardo Bolsonaro participou da programação com o objetivo de buscar distribuidores interessados em levar o filme aos cinemas dos EUA. Após a exibição, ele dividiu um painel com o diretor Cyrus Nowrasteh. A conversa foi mediada pelo influenciador de extrema direita Juan O’Savin.
Durante o debate, Eduardo comentou a situação de saúde de Jair Bolsonaro, abordou temas ligados à Operação Lava Jato e afirmou que o filme integra uma disputa cultural contra adversários políticos.
“O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda”, declarou.
Na sequência, o ex-deputado comparou o potencial de alcance da obra ao de produções cinematográficas de grande repercussão internacional.
“É assim que esse tipo de coisa é poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial.”
Ação do PT e controvérsias
Questionado sobre possíveis reações políticas à produção, Eduardo mencionou apenas a ação apresentada pelo Partido dos Trabalhadores na Justiça Eleitoral.
“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, disse Eduardo.
O ex-parlamentar não comentou outras controvérsias envolvendo o longa, entre elas as investigações sobre o financiamento da produção.
Ao responder à mesma pergunta, Cyrus Nowrasteh afirmou que a realização do filme ocorreu sem conhecimento prévio das autoridades durante grande parte das gravações. Segundo ele, os órgãos públicos só tomaram conhecimento do projeto quando a equipe filmava as cenas relacionadas ao atentado sofrido por Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018.
“Todos os nossos documentos estavam legais”, afirmou o diretor.
Condenação de Eduardo Bolsonaro entra no debate
O evento em Las Vegas ocorreu um dia antes de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por atuar nos Estados Unidos em articulações voltadas à imposição de sanções contra ministros da Corte.
Mesmo antes da decisão, o assunto foi abordado durante o encontro. Eduardo voltou a criticar integrantes do STF e comentou as acusações que pesam contra ele.
“Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Mas, como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível”, disse Eduardo.
Evento reúne aliados de Trump e figuras controversas
O Fraud Fighter Summit prossegue até esta quarta-feira e reuniu cerca de 700 participantes, segundo os organizadores. Os ingressos foram vendidos por US$ 350 e, de acordo com a organização, todos os lugares disponíveis foram ocupados.
Entre os convidados está a ex-funcionária eleitoral do Colorado Tina Peters, condenada a nove anos de prisão por permitir acesso não autorizado a equipamentos eleitorais em uma tentativa de comprovar alegações de fraude na eleição presidencial dos EUA de 2020. Peters foi libertada no início de junho após pressão do presidente Donald Trump para redução de sua pena.
Antes da exibição de Dark Horse, ela fez um discurso em apoio ao ex-presidente brasileiro.
“Este filme é muito importante. Acompanhei Bolsonaro e o que aconteceu no Brasil. Isso pode acontecer em todos os países do mundo e é claro que eles estão tentando fazer isso com o nosso país. (…) Amo vocês e precisamos respeitar esse pessoal do Brasil”, afirmou, recebendo aplausos do público.
A programação do encontro também inclui nomes conhecidos da extrema direita internacional, como Stephen Bannon, ex-estrategista de Trump, a atriz Roseanne Barr e o ex-primeiro-ministro sul-coreano Hwang Kyo-ahn, que tem questionado o resultado das eleições realizadas recentemente na Coreia do Sul.






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