A ausência de duas das principais lideranças femininas do bolsonarismo pode marcar o encontro organizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com mulheres conservadoras em Brasília. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) confirmou nesta terça-feira (30) que não participará do evento e afirmou acreditar que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também não deverá comparecer.
A declaração ocorre em meio ao desgaste público entre Michelle e Flávio, episódio que expôs divergências internas no grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e gerou preocupação entre aliados às vésperas da pré-campanha presidencial.
“Não vou. Acho que a Michelle também não”, declarou Damares ao chegar para a sessão do Senado.
O encontro está marcado para esta quarta-feira (1º) e faz parte da estratégia de Flávio Bolsonaro para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, considerado um dos principais desafios para o campo conservador nas eleições presidenciais.
Vídeo de Michelle intensificou crise
A decisão de Damares acontece no mesmo dia em que Michelle anunciou que vai deixar a presidência do PL Mulher e menos de uma semana após a ex-primeira-dama divulgar vídeos nas redes sociais relatando um desentendimento com o enteado. Nas gravações, publicadas em 24 de junho, Michelle afirmou ter sido tratada com falta de respeito durante uma conversa telefônica sobre articulações políticas do Partido Liberal no Ceará.
Michelle relatou que ouviu de Flávio que deveria ficar afastada das decisões partidárias. O senador negou ter destratado a ex-primeira-dama e afirmou posteriormente que o episódio já seria uma “página virada”.
Apesar da tentativa de minimizar o conflito, o caso ganhou repercussão entre lideranças bolsonaristas e evidenciou divergências dentro do grupo político.
Ausência de Damares tem peso político
Aliada próxima de Michelle Bolsonaro e uma das principais referências do eleitorado conservador e evangélico, Damares Alves tem papel relevante na articulação política do segmento feminino ligado ao bolsonarismo.
Sua decisão de não comparecer ao evento é interpretada por aliados como um sinal de apoio à ex-primeira-dama e reforça a percepção de que a crise ultrapassou o âmbito familiar, alcançando setores estratégicos da base política conservadora.
Nos últimos dias, Damares também passou a ser alvo de críticas de integrantes do bolsonarismo que defendem Flávio Bolsonaro. Entre eles, o jornalista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, que questionou publicamente a postura da senadora.
Em resposta, Damares afirmou nas redes sociais que participa ativamente das disputas políticas e que não se limita a manifestações virtuais.
Campanha busca conter impactos
A tensão interna preocupa integrantes da equipe de Flávio Bolsonaro, principalmente pelo potencial impacto junto ao eleitorado feminino.
Nos bastidores, a campanha trabalha na elaboração de propostas voltadas para temas como combate à violência doméstica, empreendedorismo feminino e economia do cuidado. As medidas devem integrar o programa de governo previsto para ser apresentado nas próximas semanas.
Além disso, Flávio tem buscado construir uma imagem mais moderada nas redes sociais, destacando frequentemente sua condição de pai de menina como parte da estratégia de aproximação com mulheres.
Enquanto aliados tentam reduzir o desgaste, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também atua para buscar uma reaproximação entre Michelle Bolsonaro e o senador, em uma tentativa de evitar que o episódio provoque novos reflexos na articulação política do grupo. :






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