CVM investiga destituição de conselheiro da Vale após disputa pelo comando do colegiado

O executivo havia se oposto à mudança no comando do colegiado e é acusado pela mineradora de divulgar informações sigilosas à imprensa.

A CVM iniciou nesta quinta-feira (23) um processo para investigar as circunstâncias que levaram à destituição de Marcelo Gasparino do cargo de vice-presidente do conselho de administração da Vale. A saída foi anunciada pela mineradora na noite de quarta-feira (22).

A autarquia já solicitou esclarecimentos à companhia sobre o episódio. A Vale, por sua vez, acusa Gasparino de ter vazado informações sigilosas para veículos de imprensa. Procurada, a empresa informou que não pretende comentar o caso.

Gasparino integra o conselho da Vale há seis anos e participou da disputa pela presidência do colegiado durante a assembleia de acionistas realizada na quarta-feira. Ele acabou derrotado por Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie.

Disputa pelo comando do conselho

A mudança ocorre em meio a uma disputa envolvendo a sucessão na presidência do conselho da Vale. Gasparino havia se manifestado contra a troca de comando apoiada pela Previ, fundação responsável pela gestão das aposentadorias dos funcionários do Banco do Brasil e maior acionista individual da mineradora.

Em seu posicionamento, o conselheiro classificou a atuação da Previ para substituir o então presidente do conselho, Daniel Stieler, como uma “aventura societária”. Ele também questionou a candidatura de Ollie para assumir o comando do colegiado.

As críticas foram registradas formalmente no voto apresentado durante a reunião que aprovou a convocação da assembleia responsável por discutir a substituição de Stieler. Procurado para comentar a destituição, Gasparino não se manifestou.

Segundo processo envolve sucessão na Vale

O caso envolvendo Gasparino é o segundo processo aberto pela CVM relacionado à sucessão no comando do conselho de administração da Vale. Em outra investigação, a autarquia analisa o pagamento de uma compensação financeira a Daniel Stieler, que deixou a presidência do colegiado no início de julho.

A Vale informou à CVM que a remuneração concedida a Stieler não representaria um acordo para que ele deixasse o cargo diante da pressão pela mudança no comando. Segundo a empresa, o contrato envolve cláusulas de confidencialidade, não competição e não difamação.

A companhia também justificou o pagamento com o argumento de que Stieler detém conhecimento sobre informações sigilosas da mineradora. Durante sua gestão como presidente do conselho, ele recebia R$ 267 mil por mês.

Destituição ainda depende de aprovação

A movimentação no conselho da Vale surpreendeu investidores e analistas porque acontece apenas oito meses antes do encerramento dos atuais mandatos dos integrantes do colegiado. A Previ afirma que sua atuação busca ampliar a independência do conselho de administração.

No processo de renovação, a fundação também perdeu uma cadeira no colegiado. João Maurício Coelho, indicado pela Previ para ocupar a vaga de Stieler, foi derrotado por Ieda Gomes, nome recomendado pelo próprio conselho aos acionistas.

A destituição de Marcelo Gasparino, no entanto, ainda não é definitiva. A decisão precisará ser submetida à aprovação dos acionistas da Vale, que deverão ser convocados para uma nova assembleia.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo