Curso de drones acende alerta entre deputados após polícia investigar treinamento do tráfico na Penha

Marcel Dino e Índia Armelau demonstram preocupação com capacitação financiada pelo governo federal diante do avanço do uso de equipamentos para vigilância e lançamento de explosivos por criminosos

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O avanço dos drones como uma nova ferramenta do crime organizado aumentou a preocupação de deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com cursos de capacitação para pilotagem desses equipamentos em comunidades. O debate ganhou força depois que imagens divulgadas pela polícia mostraram dezenas de pessoas reunidas em uma quadra no Complexo da Penha, na Zona Norte, durante o que, segundo as investigações, seria um treinamento promovido por traficantes.

A preocupação alcançou também uma iniciativa de qualificação profissional financiada pelo governo federal e destinada a moradores de comunidades. Os deputados Marcel Dino (PL) e Índia Armelau (PL) questionaram o programa diante da utilização crescente de drones por organizações criminosas para monitorar policiais, acompanhar movimentações em territórios e até transportar e lançar explosivos.

Curso federal entra no debate

Coordenador da Frente Parlamentar de Acompanhamento das Ações de Retomada dos Territórios e integrante da Comissão de Segurança Pública da Alerj, Marcel Dino criticou o curso gratuito de pilotagem de drones destinado a moradores de comunidades de baixa renda.

A iniciativa recebeu R$ 200 mil em recursos federais e foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Administração Pública e Apoio Universitário do Rio (IBAP-RJ). Para Dino, o treinamento deveria contar com mecanismos de controle que reduzam o risco de aproveitamento do conhecimento por integrantes de organizações criminosas.

“O Ministério do Trabalho liberou R$ 200 mil para um curso gratuito de pilotagem de drones dentro de comunidades de baixa renda no Rio de Janeiro. Mas, quem hoje já usa drone pra vigiar policial, pra monitorar movimentação e, cada vez mais, pra lançar granada contra a tropa?”, indagou.

O deputado argumentou que sua crítica não está necessariamente na oferta de qualificação profissional, mas nas condições em que esse tipo de conhecimento é oferecido em regiões onde existem territórios controlados por facções.

“Treinar pilotagem de drone sem controle nenhum, dentro de território dominado por facção, é dar ferramenta pronta pra quem já usa tecnologia contra a população e contra a polícia”, afirmou.

Tecnologia preocupa deputados

Dino também relacionou sua crítica aos episódios recentes de utilização de drones por criminosos e repudiou o emprego dos equipamentos no lançamento de explosivos. Para o parlamentar, o avanço desse tipo de ataque está relacionado ao domínio territorial exercido pelo narcotráfico em determinadas regiões. “Por que não investir em curso técnico, profissionalizante, que dê dignidade sem virar munição pro crime?”, questionou.

O assunto também chegou ao plenário da Assembleia. Em discurso na tribuna, Índia Armelau relacionou a discussão sobre a capacitação profissional às imagens do treinamento que, segundo a polícia, teria sido promovido por traficantes no Complexo da Penha há cerca de duas semanas.

A parlamentar também abordou os riscos decorrentes da operação inadequada desses equipamentos. Segundo ela, pilotos têm chamado atenção para a possibilidade de acidentes envolvendo drones utilizados de maneira irregular.

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