A ex-presidente da Argentina Cristina Fernández de Kirchner, de 72 anos, iniciou nesta terça-feira (17) o cumprimento de sua pena de seis anos de prisão em regime domiciliar. A medida foi autorizada pela Justiça após a Suprema Corte do país rejeitar os últimos recursos apresentados por sua defesa. As informações são do site Metrópoles, com base em reportagens da imprensa argentina.
Condenada por corrupção no caso conhecido como Causa Vialidad, Cristina foi responsabilizada por irregularidades em contratos de obras públicas firmados durante os governos de Néstor Kirchner (seu marido) e dela própria, entre 2007 e 2015. A confirmação da pena na última semana levou à execução imediata da sentença, embora em regime especial: por ter mais de 70 anos, a ex-presidente teve direito, segundo a legislação argentina, a cumprir a pena em casa.
A Justiça determinou que Cristina permaneça reclusa em um apartamento de sua propriedade localizado no bairro de Monserrat, em Buenos Aires. Ela está proibida de sair do local e será monitorada permanentemente com o uso de uma tornozeleira eletrônica, cuja instalação já foi realizada. O equipamento tem como objetivo garantir o “monitoramento efetivo da execução da pena”, conforme o despacho judicial divulgado pelo jornal argentino Clarín.
Nos últimos dias, a defesa da ex-presidente havia solicitado que ela pudesse cumprir a pena em sua residência no bairro Constitución, mas os juízes optaram por fixar o cumprimento da prisão domiciliar no imóvel de Monserrat, também na capital.
Ex-presidente diz que sofre perseguição política
Cristina segue sustentando que é alvo de perseguição política. Em declarações recentes, ela afirmou que o processo contra ela é um exemplo de “lawfare” — conceito usado para descrever o uso estratégico do Judiciário com fins de deslegitimar adversários políticos. Segundo Cristina, o caso foi conduzido por setores do Judiciário “alinhados à direita e a interesses estrangeiros”.
Com uma trajetória marcada por embates políticos, escândalos e apoio popular significativo, a ex-presidente e ex-vice de Alberto Fernández agora inicia uma nova fase sob vigilância judicial, mas ainda em meio a controvérsias que dividem a sociedade argentina.





