Crise da Unimed Ferj e Unimed Brasil ainda expõe instabilidade no atendimento a pacientes no Rio

Audiência na Alerj debate dívidas com hospitais, dificuldades de acesso a tratamentos e medidas de apoio a consumidores afetados

A crise financeira envolvendo a Unimed Ferj e a Unimed Brasil foi tema de debate nesta quinta-feira (05) na Assembleia Legislativa (Alerj). Em audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor, representantes de órgãos públicos, hospitais e entidades relataram que pacientes ainda enfrentam instabilidade no atendimento, enquanto a operadora mantém uma dívida elevada com hospitais e clínicas.

O encontro reuniu autoridades e representantes de instituições que acompanham a situação desde que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou, em novembro de 2025, que a Unimed Brasil assumisse a assistência médica de mais de 234 mil beneficiários da Unimed Ferj no Rio de Janeiro e em Duque de Caxias.

O acordo foi mediado pela ANS, com participação do Ministério Público Federal, do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública. Diante das reclamações de consumidores, a comissão informou que encaminhará requerimentos às duas operadoras para solicitar esclarecimentos sobre a situação financeira e os impactos no atendimento.

Histórico da crise

Segundo o presidente da comissão, deputado Fabio Silva (União Brasil), os beneficiários convivem com os efeitos da crise há mais de um ano. Ele explicou que a situação se agravou após a transferência da carteira de clientes da Unimed Rio para a Unimed Ferj.

Durante a audiência, o parlamentar afirmou que a operadora não tinha estrutura suficiente para assumir a operação, o que levou ao agravamento do quadro financeiro e à posterior transferência da administração para a Unimed Brasil.

Cenário ainda instável para pacientes

O gerente da Diretoria de Normas e Habilitação de Produtos da ANS, Wilson Marques Vieira Júnior, afirmou que a agência identificou um cenário crítico quando foi instaurada a direção técnica na operadora em 2025.

Segundo ele, naquele momento houve dificuldades no atendimento, especialmente para pacientes oncológicos e pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

Na avaliação do representante da agência o quadro atual apresenta alguma melhora, com parte dos pacientes voltando a ser atendidos. Ainda assim, ele afirmou que a situação continua instável em razão das dívidas acumuladas.

Dívida com hospitais

O presidente da Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (AHERJ), Marcus Quintella, afirmou que a dívida da Unimed Ferj com hospitais não foi resolvida, chegando a R$ 1,5 bilhão.

Ele explicou que as unidades de saúde dependem do pagamento das operadoras para manter os serviços e que, diante da ausência de repasses, hospitais podem suspender atendimentos por não conseguirem arcar com custos operacionais e insumos.

Gabinete de crise para consumidores

Representantes de órgãos de defesa do consumidor também relataram as dificuldades enfrentadas pelos beneficiários do plano de saúde. O subsecretário de Proteção aos Direitos Difusos e Individuais do Consumidor, Claudir Rodrigues, informou que foi criado um gabinete de crise com a participação da Unimed Ferj, do Procon e de familiares de pacientes.

Segundo ele, o objetivo é acompanhar os casos e tentar solucionar os problemas relatados pelos usuários, especialmente aqueles envolvendo crianças com Transtorno do Espectro Autista que perderam acesso a tratamentos.

O presidente do Procon-RJ, Marcelo de Oliveira, afirmou que o órgão acompanha a situação de consumidores que continuam pagando as mensalidades do plano de saúde, mas enfrentam dificuldades para acessar serviços médicos.

Impactos para pacientes

Durante a audiência, familiares de pacientes também relataram dificuldades no acesso a tratamentos. A presidente da associação Nem um Direito a Menos, Fabiane Simão, mãe de uma criança com paralisia cerebral e autismo, afirmou que enfrenta problemas para garantir atendimento para o filho.

Ela relatou que o menino está há nove meses sem tratamento, apesar de a família continuar pagando o plano de saúde.

Posicionamento da operadora

Representando a Unimed Ferj na audiência, Carlos Frinhani afirmou que a operadora assumiu a Unimed Rio em abril de 2024 com uma dívida de cerca de R$ 1,6 bilhão. Segundo ele, houve um repasse de R$ 1 bilhão para a quitação de pagamentos de prestadores e médicos cooperados.

Frinhani também afirmou que a operadora não reconhece o valor de R$ 2 bilhões em dívidas citado pela associação de hospitais. Os presidentes da Unimed Ferj e da Unimed do Brasil foram convidados para participar da audiência pública, mas não compareceram.

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