A morte dos pedreiros Edvan Felipe de Assis e Marcelo da Cruz Silva durante uma ação da Polícia Militar em São Gonçalo levou o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, a determinar que o Estado inicie o processo de indenização às famílias das vítimas.
Os dois trabalhadores foram baleados por policiais do 7º BPM (Alcântara), que atuavam na comunidade Jardim Catarina. Testemunhas afirmam que os agentes teriam confundido ferramentas de construção carregadas pelos pedreiros com armas de fogo. Três policiais são investigados no caso.
Em nota oficial, o governo estadual informou que Ricardo Couto manifestou “profundo pesar” pelas mortes e determinou que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) adote as medidas necessárias para viabilizar o pagamento de indenizações aos familiares das vítimas.
Além da assistência às famílias, o governador interino também ordenou que as investigações sejam conduzidas com “absoluto rigor e transparência” pelas polícias Civil e Militar. O objetivo é esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência e garantir a responsabilização dos envolvidos, caso sejam confirmadas irregularidades.
Policiais foram afastados
Ainda de acordo com o governo, os agentes que participaram da ação já foram afastados das atividades operacionais. A Polícia Militar informou que eles não permanecerão nas ruas enquanto o caso estiver sob investigação.
A Polícia Civil também adotou medidas para aprofundar a apuração. Entre elas estão a realização de perícia nas armas utilizadas pelos policiais e a análise integral das imagens registradas pelas câmeras corporais dos agentes que participaram da ocorrência.
Comoção e protestos nos sepultamentos
As mortes provocaram forte comoção em São Gonçalo. Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, foi enterrado na quinta-feira (28), sob protestos de familiares, amigos e moradores da região. Já o sepultamento de Edvan Felipe de Assis ocorreu nesta sexta-feira.
Durante o cortejo de Marcelo, parentes e amigos entoaram gritos de “justiça” e demonstraram indignação com a presença de diversas viaturas policiais no entorno do Cemitério São Miguel. Segundo familiares, cerca de dez veículos das forças de segurança cercaram o local, o que foi interpretado por muitos como um gesto de desrespeito em meio ao luto.
Policiais do 1º BPM (São Gonçalo), do 7º BPM e do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) permaneceram na área até o fim do sepultamento. De acordo com relatos obtidos por O Globo, a justificativa apresentada para a operação foi prevenir possíveis manifestações de moradores da comunidade Jardim Catarina.






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