O corpo encontrado na manhã deste domingo (28), no Costão da Avenida Niemeyer, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi identificado como sendo do professor de surfe José Ricardo Ramos, conhecido como Bocão. A confirmação foi feita pelo filho, Ricardo Ramos, após o reconhecimento no Instituto Médico Legal (IML), no Centro da capital.
José Ricardo estava desaparecido desde a madrugada de quarta-feira (24), quando entrou no mar de São Conrado e não foi mais visto. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 7h40 deste domingo para realizar o recolhimento de um cadáver localizado na região costeira.
Após o resgate, o corpo foi encaminhado ao IML, onde passou pelos procedimentos de identificação antes de ser liberado à família.
Ricardo Ramos descreveu o pai como uma das maiores referências do surfe na comunidade e destacou o legado deixado por ele ao longo da vida.
“Ele vai ser nosso eterno rei do surf. A aula dele não era apenas sobre o esporte, era uma aula de alegria. Meu pai ajudou muita gente e tudo o que ele construiu será mantido pela nossa família”, afirmou.
Segundo o filho, Bocão era muito querido pelos moradores da Rocinha e por todos que participaram de seus projetos sociais ao longo das últimas décadas.
Filho relata dificuldades financeiras enfrentadas pelo surfista
Durante o reconhecimento do corpo, Ricardo também revelou que o pai enfrentava problemas financeiros nos últimos meses, situação que, segundo ele, vinha causando grande sofrimento emocional.
De acordo com o relato, José Ricardo trabalhava em um projeto cujo pagamento estava atrasado, acumulando dificuldades para quitar despesas, entre elas o aluguel.
O filho contou que diversas vezes incentivou o pai a pedir ajuda a amigos e pessoas próximas, mas ele preferia enfrentar os problemas em silêncio.
Além disso, Ricardo fez um apelo para localizar um casal que aparece em imagens de câmeras de segurança conversando com Bocão minutos antes de ele entrar no mar.
Segundo ele, o surfista permaneceu cerca de seis minutos conversando com essas pessoas antes de seguir para a água. A família acredita que esse depoimento poderá esclarecer quais eram seus pensamentos naquele momento.
Desaparecimento ocorreu após entrada no mar em São Conrado
Ricardo soube do desaparecimento enquanto acompanhava a mãe, que havia acabado de passar por uma cirurgia para retirada de um tumor, procedimento considerado bem-sucedido.
Testemunhas relataram que José Ricardo entrou no mar nas proximidades do Hotel Nacional, em São Conrado, durante a madrugada, seguindo em direção às Ilhas Tijucas.
Desde então, ele não foi mais visto, dando início às buscas realizadas pelos bombeiros até a localização do corpo neste domingo.
Projeto social transformou a vida de centenas de jovens
Além da trajetória como surfista, Bocão ficou conhecido pelo trabalho desenvolvido à frente do projeto Rocinha Surfe Escola.
Fundada há 39 anos, a iniciativa oferece aulas gratuitas de surfe para crianças e adolescentes da comunidade, aliando esporte, educação ambiental, inclusão social e ações de sustentabilidade.
O projeto atende aproximadamente 300 alunos e se tornou uma das principais referências sociais ligadas ao esporte na Zona Sul do Rio.
Homenagens destacam legado de Bocão
A morte de José Ricardo provocou grande comoção entre amigos, ex-alunos e personalidades ligadas ao surfe.
O cantor Gabriel, o Pensador, amigo de longa data do surfista, publicou uma homenagem destacando a importância de Bocão para o esporte e para a formação de centenas de jovens da Rocinha.
Na publicação, o artista lembrou da dedicação do professor em recuperar pranchas usadas, incentivar crianças a praticarem esportes e desenvolver ações solidárias voltadas para a comunidade.
Gabriel também ressaltou a importância de oferecer apoio a pessoas que enfrentam dificuldades emocionais, incentivando familiares e amigos a estarem atentos aos sinais de sofrimento psicológico e à busca por ajuda especializada.
Nas redes sociais, diversas mensagens lembraram o trabalho social realizado por Bocão e destacaram sua contribuição para gerações de surfistas e moradores da Rocinha.
Até o momento, a família ainda não divulgou informações sobre o velório e o sepultamento do professor surfista.






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