A informação é do jornal Extra! É de Matheus Costa da Silva, de 21 anos, o corpo encontrado no noite de segunda-feira no Rio Capenga, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele era um dos quatro jovens desaparecidos após serem levados de um carro de aplicativo, em crime atribuído à milícia da região.
O corpo foi localizado por agentes do Corpo dos Bombeiros e da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) durante as buscas pelas vítimas. Os rapazes foram levados por homens fortemente armados e encapuzados, no bairro Valverde, quando seguiam para um shopping da Baixada, no último dia 12. Desde então eles não foram mais vistos.
As famílias dos desaparecidos foram chamadas para fazer o reconhecimento no Instituto Médico-Legal (IML) do município. Primeiro, o corpo de Matheus foi reconhecido por uma tatuagem, feita em homenagem ao avô. A polícia confirmou, cerca de duas horas depois, ao colher as impressões digitais.
— Quando eu cheguei aqui, eu recebi a notícia que era ele (Matheus), porque o pai do Adriel viu pela tatuagem e me perguntou como era e eu disse. Ele havia feito uma tatuagem em homenagem ao avô, e aí vimos que era ele. Não tive coragem que ir reconhecer o corpo. A minha filha foi e reconheceu. Eu não tive coragem de ver. É o meu filho. Eu não sei o que houve. Só sei que fizeram muita maldade com o meu filho. Eles furaram o corpo dele para ver se ele afundava e não conseguiram. A minha dor é imensa — disse Ana Maria da Costa, de 40 anos.
Adilson Gomes Francisco, de 34 anos, é irmão de Jhonatan Alef Gomes, 28, um dos desaparecidos. Ele passou a manhã inteira no IML de Nova Iguaçu. Quando soube que não era Jhonatan, se sensibilizou e ajudou a família de Matheus.
— Ontem pediram para a gente vir ao IML fazer o reconhecimento. Os familiares vieram e vimos que o Matheus foi encontrado. Vamos continuar buscando pelo Jhonatan, pelo Ariel e pelo Douglas para que tenhamos paz e fim nessa situação terrível que estávamos vivendo. A minha esperança já tinha acabado desde o primeiro dia, eu não tinha esperança — conta Adilson, que completa:
— Pela situação que o corpo do Matheus está, eles fizeram uma covardia muito grande com eles e fica passando um filme na cabeça. O que aconteceu com eles foi uma maldade, uma crueldade e uma covardia que vemos acontecendo a cada dia no nosso estado. O bandido e o miliciano matam por nada. Somos nós, familiares que perdemos. Muitos familiares se calam. Eu não tive medo, porque foi o único jeito da gente buscar pelo meu irmão. O único jeito de mostrar isso foi trazer a imprensa. Hoje será mais um dia triste para buscar pelo meu irmão e os outros dois rapazes.
Pouco depois das 8h30 desta terça-feira (23), parentes dos jovens desaparecidos começaram a chegar no IML de Nova Iguaçu. Enquanto isso, a DHBF recomeçou as buscas no rio onde o corpo foi encontrado. De acordo com os investigadores, o trecho do rio onde o corpo foi encontrado é apontado como um ponto de desova de cadáveres da milícia que atua na Baixada.
As vítimas que seguem desaparecidas são Douglas de Paula Pamplona, de 22; Adriel Andrade Bastos, de 24, e Jhonatan Alef Gomes, de 28. O motorista do veículo, liberado pelos criminosos, já foi ouvido e disse que os quatro foram levados e amarrados pelos homens que estavam encapuzados.
Meu coração está destruído’, disse mãe de jovem instantes antes de reconhecer tatuagem
Na manhã desta terça-feira (23), a balconista Ana Maria da Costa, de 40 anos, foi ao IML de Nova Iguaçu para reconhecer o corpo encontrado no Rio Capenga, na altura do KM 32. Há duas semanas ela está em busca de notícias sobre o segundo filho, Matheus, e mandava mensagens para o celular dele diariamente pedindo que voltasse para casa. Instantes antes de ver a tatuagem e a reconhecer, ela falou da angústia à procura de notícias.
Leia mais na reportagem do jornal Extra on Line:






Deixe um comentário