Familiares e amigos se despedem de Mestre Sabiá, executado a tiros em Niterói

Paulo César da Silva Souza, conhecido como Mestre Sabiá, foi morto a tiros dentro do carro em Icaraí; polícia investiga motivação e possível ligação com atentado anterior sofrido pelo capoeirista

O corpo de Paulo César da Silva Souza, o Mestre Sabiá, de 65 anos, foi enterrado na tarde desta sexta-feira (20). A despedida reuniu familiares, amigos e alunos no Cemitério Parque da Colina, em Niterói, sob forte clima de tristeza e cobrança por justiça. O mestre de capoeira foi executado a tiros na última quarta-feira (18) em uma das vias mais movimentadas do bairro de Icaraí.

Segundo a polícia, ele estava no banco do carona do carro, dirigido pela companheira, quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram disparos à queima-roupa no cruzamento das ruas Sete de Setembro e Lemos Cunha. Sabiá foi atingido por três tiros e morreu no local.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, que busca imagens de câmeras de segurança e tenta identificar os autores e a motivação do crime.

Na cerimônia de despedida, familiares e amigos mais próximos afirmaram que o mestre era conhecido por difundir a capoeira dentro e fora do país. Durante o velório, alunos e companheiros de Paulinho Sabiá chegaram a fazer uma roda de capoeira para homenagear o mestre.

Referência na capoeira, Paulo César também recebeu diversas homenagens nas redes sociais que destacaram a trajetória e o legado deixado por ele.

“[Ele] construiu uma trajetória marcada por décadas de dedicação, formação e compromisso com a cultura afro-brasileira. Foram muitos anos de experiência, ensinando, orientando e formando mestres que hoje seguem espalhando seu legado pelo Brasil e pelo mundo (…). Seu legado ultrapassa a roda. Está na ética, na disciplina, na ancestralidade e na responsabilidade com a tradição”, escreveu, em nota, o Centro Cultural Pernada Carioca.

“Mestre Paulinho Sabiá era um homem com uma sabedoria muito além do que conhecemos. Líder, mas sereno”, escreveu o aluno Luiz Cesar Luz.

A irmã do mestre, Adriana Possobom, disse que o capoeirista era uma pessoa querida e não tinha inimigos. 

Sabiá era reconhecido pela formação de gerações de capoeiristas

Paulo César começou a se dedicar à capoeira ainda na juventude, nas ruas de Niterói, onde deu os primeiros passos na arte. Tornou-se discípulo do tradicional Grupo Senzala, sob a orientação de José Tadeu Carneiro Cardoso, o Mestre Camisa.

No fim da década de 1980, participou da fundação do Grupo Capoeira Brasil, em parceria com o ator e capoeirista Beto Simas, o Mestre Boneco, e com Mestre Paulão Ceará.

Com o passar dos anos, o grupo ampliou sua atuação para diversos países, formando praticantes e instrutores e ajudando a levar a capoeira brasileira para o exterior. Sabiá ficou conhecido pela dedicação à formação de novos capoeiristas e pelo papel que desempenhou na projeção do grupo dentro e fora do país.

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