Coronel Menezes revela bastidores do combate ao crime e explica entrada na política em entrevista ao Jogo do Poder

Ex-comandante da PM e pré-candidato a deputado estadual pelo PL defende legislação mais dura, integração com a Polícia Federal, retomada de territórios e apoio da população aos policiais

O coronel Marcelo Menezes, ex-comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro e pré-candidato a deputado estadual pelo PL, defendeu que a segurança pública seja tratada como prioridade absoluta no estado. Em entrevista ao programa Jogo do Poder, da CNT, apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno, ele afirmou que decidiu disputar um mandato para levar ao Legislativo a experiência acumulada em 36 anos de atuação na Polícia Militar.

Durante a conversa, Menezes falou sobre sua entrada na política, a relação das forças estaduais com a Polícia Federal, a estrutura de comando do Comando Vermelho e a necessidade de devolver esperança à população fluminense diante da violência.

Por que entrar na política

Menezes afirmou que a decisão de deixar a farda e se lançar na política está ligada à importância estratégica da segurança pública para o Rio de Janeiro. Segundo ele, o tema ganhou protagonismo nacional após a operação nos complexos do Alemão e da Penha, comandada por ele.

Para o coronel, a segurança pública é “a mãe de todos os direitos”, porque permite que outras políticas públicas avancem e que a população tenha qualidade de vida, liberdade para circular e condições para empreender.

Ele disse que pretende colocar seu currículo à disposição da população depois de 36 anos na Polícia Militar, período em que atuou em áreas de planejamento, inteligência e operações. Na avaliação de Menezes, o Rio precisa de representantes qualificados para discutir segurança pública no Legislativo.

O ex-comandante defendeu a formação de uma bancada com conhecimento técnico sobre o tema, incluindo policiais e profissionais da área. Segundo ele, assim como médicos são chamados para debater medicina e engenheiros para debater engenharia, a segurança pública deve ser discutida por quem entende da realidade das ruas e do enfrentamento às facções.

Menezes afirmou que essa representação pode ajudar na criação de uma legislação mais adequada, na melhoria das condições de trabalho dos policiais e na formulação de estratégias mais eficazes contra o crime organizado.

Operação no Alemão e na Penha

Ao comentar a operação nos complexos do Alemão e da Penha, Menezes afirmou que o enfrentamento ao crime organizado precisa ser feito por meio de planejamento, investigação, sufocamento financeiro das facções, repressão qualificada e retomada de territórios.

Segundo ele, a operação teve planejamento operacional por mais de 60 dias e tinha como objetivo cumprir diversas decisões judiciais. O coronel também afirmou que a ação teve apoio expressivo da população, inclusive de moradores de comunidades.

Menezes defendeu que a retomada de territórios não pode repetir erros de experiências anteriores. Para ele, além da atuação policial, é necessário envolver diferentes níveis de governo, com responsabilidades claras, orçamento, ações sociais, urbanísticas e investimentos nas forças de segurança.

O ex-comandante disse que o plano de retomada foi construído com a Secretaria de Segurança, a Polícia Militar e a Polícia Civil, dentro das determinações relacionadas à ADPF 635. Segundo ele, o projeto está no Supremo Tribunal Federal aguardando decisão para sua implementação.

Relação com a Polícia Federal

Questionado sobre a participação da Polícia Federal no enfrentamento ao crime no Rio, Menezes afirmou que há uma relação “muito salutar” entre os órgãos de segurança. Segundo ele, existe uma câmara técnica de inteligência em que agências federais, estaduais e municipais trocam informações para subsidiar operações.

O coronel comentou que, durante sua gestão, houve diálogo e cooperação permanente com instituições federais e com organismos policiais de outros estados. Segundo ele, essa integração se tornou ainda mais necessária após o Rio se transformar em local de abrigo para lideranças criminosas de outras unidades da federação.

Menezes citou o caso de criminosos de outros estados que se escondem no Rio para continuar comandando ações em seus locais de origem. Para ele, a troca de informações entre polícias é fundamental para retirar essas lideranças de circulação.

O ex-comandante também reforçou que o governo estadual não consegue enfrentar sozinho facções com atuação nacional e internacional. Ele lembrou que o Rio não fabrica fuzis nem drogas e que as polícias estaduais não controlam estradas federais, portos e aeroportos. Por isso, defendeu atuação conjunta com o governo federal, estados e municípios.

Quem comanda o Comando Vermelho

Ao ser perguntado sobre quem comanda o Comando Vermelho, Menezes afirmou que a facção tem várias lideranças, com tarefas bem definidas. Segundo ele, há comandantes responsáveis por determinadas regiões e atividades específicas dentro da estrutura criminosa.

O coronel destacou que o controle territorial e a cobrança de taxas passaram a ser uma das principais atividades das organizações criminosas. Ele também afirmou que há dados de inteligência indicando infiltração das facções no mercado legal de produtos e serviços.

Menezes citou áreas como fornecimento de gás, água, farinha para padarias e outros serviços explorados em comunidades dominadas pelo crime. Segundo ele, a atuação das facções se tornou mais complexa e envolve também movimentações financeiras, fintechs, criptomoedas e o mercado de apostas.

Para o ex-comandante, a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos abre uma “janela de oportunidade” para ampliar sanções, isolar financeiramente lideranças e dificultar a atuação internacional desses grupos.

Ele afirmou ter certeza de que o Comando Vermelho possui células em países da Europa, da América Central e da América do Norte. Na avaliação de Menezes, isso exige integração internacional e planejamento específico para sufocar financeiramente as facções.

Investimento nas polícias e legislação mais dura

Menezes rejeitou a ideia de que as polícias estejam em desvantagem estrutural diante do armamento do crime. Segundo ele, houve investimentos expressivos em inteligência, softwares, equipamentos, drones, fuzis, viaturas semiblindadas, coletes e capacetes balísticos.

O ex-comandante afirmou que mais de 3 mil fuzis modernos já foram entregues à corporação durante sua gestão e citou a aquisição anunciada de mais de 10 mil fuzis para reequipar Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal.

Apesar disso, ele disse que o estado ainda enfrenta defasagem de efetivo. Segundo Menezes, a PM conta com cerca de 43 mil policiais militares, mas trabalha com planejamento mínimo de 70 mil homens para garantir policiamento ostensivo adequado.

O coronel também defendeu legislação mais rígida para criminosos reincidentes. Ele criticou casos de presos com dezenas de passagens ou anotações criminais e afirmou que a legislação está desconectada da realidade e da vontade da população.

Segurança Presente na Polícia Militar

Menezes avaliou como positiva a decisão de transferir o programa Segurança Presente para o comando da Polícia Militar. Segundo ele, após a implantação e consolidação do programa, a gestão dentro da corporação tende a ser mais adequada e técnica.

O coronel afirmou que o policiamento ostensivo e de proximidade é atribuição constitucional das polícias militares. Para ele, a integração do Segurança Presente ao planejamento dos batalhões pode tornar o programa mais produtivo, especialmente por permitir respostas a demandas locais e municipais.

Esperança da população para a segurança

Na parte final da entrevista, Menezes afirmou que a população do Rio pode ter esperança em dias melhores na segurança pública. Segundo ele, a operação nos complexos do Alemão e da Penha colocou o tema no centro do debate nacional e mostrou a importância do apoio popular às forças policiais.

O coronel disse que a união entre sociedade e polícia é essencial para mudar a realidade do estado. Para ele, o apoio da população aos agentes de segurança foi um diferencial na operação e pode ajudar a construir uma nova fase no enfrentamento ao crime.

Menezes afirmou ser otimista e disse acreditar que o Rio pode viver uma “virada de chave” na segurança pública, desde que haja investimento, vontade política, coragem, legislação adequada e integração entre os diferentes níveis de governo. O programa vai ao ar neste domingo (12), às 23h20 pela Rede CNT e também pelo Youtube.

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