Antes das 7h, a Rua Primeiro de Março, no Centro do Rio, já estava tomada por fantasias, leques e camisas brancas e pretas neste sábado (14). O Cordão da Bola Preta, bloco mais tradicional da cidade, tomou as ruas para realizar o 107° desfile anual.
Fundado em 31 de dezembro de 1918, o bloco é considerado o mais antigo em atividade no Rio de Janeiro. A concentração aconteceu às 7h, com público estimado em 700 mil pessoas.
Entre as fantasias, a família de Diego Carvalho, de 34 anos, marcou presença vestidos de Wandinha, seriado da Netflix.

“Toda hora a gente vem. E cada ano a gente veste uma roupa diferente. Esse foi em homenagem à Wandinha. A gente já tem uma costureira, Patrícia, que faz a nossa roupa de todos os blocos. Da família inteira: minha mãe, minha avó, minha prima”, contou.
Houve quem apostasse num visual mais leve, como o mineiro Célio Augusto, 30 anos, que mora no Rio e decidiu aproveitar mais um bloco. Ele escolheu um figurino improvisado. “É o livre-arbítrio do Carnaval. É fácil de fazer, fácil de arrumar. É fresco e interessante. A toalha já caiu quando eu estava fazendo a revista, foi caindo”, disse, aos risos.

Pontos de hidratação
Com previsão de calor intenso, a Cedae montou uma operação de hidratação ao longo do trajeto. Segundo Andrea Pulice, 52 anos, assessora de gestão da companhia, este é o terceiro ano da ação no bloco. “A gente só vai aprimorando cada vez mais a nossa operação.”
A estrutura conta com quatro pontos de hidratação no Bola Preta, incluindo um bebedouro de grande porte com distribuição de copos personalizados para self-service.

A companhia também instalou pontos na dispersão, com chuveirinhos para refrescar os foliões, além de bicicletas e uma kombi adaptada para levar água ao longo do percurso.
“A gente sabe que é um bloco que fica muito cheio e, às vezes, as pessoas não conseguem vir até o ponto. Então a gente leva a hidratação para dentro da corda”, explica.
Neste ano, as equipes também circulam com vaporizadores e distribuem protetor solar durante o desfile. A operação atende ainda blocos infantis e tradicionais ao longo da programação.
Ângelo Márcio, 45 anos, maçariqueiro naval, saiu do Rio d’Ouro, em São Gonçalo, para acompanhar o desfile com a família.

“A gente ama Carnaval e tenta arrumar ideias criativas pra aproveitar. Acredito que é a única época do ano que você pode pôr um sapo de ração e ir pra rua e ser festejado por isso, em vez de ser criticado.”
Quem não chora não mama
O hino oficioso Quem não chora não mama, de Nelson Barbosa e Vicente Paiva, abre o desfile todos os anos. A corte reúne Paolla Oliveira, rainha de bateria desde 2019, e Leandra Leal, porta-estandarte desde 2009, além de artistas convidados.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes






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