Coordenador da campanha de Lula que dirige o MST defende aproximação com músicos sertanejos

Coordenador nacional do MST e responsável pela ligação da campanha de Lula com os movimentos populares do campo e da cidade, João Paulo Rodrigues defende que o PT se aproxime do movimento musical sertanejo, sem gestos que pareçam oportunistas, e escolha uma linguagem correta, sem hostilidade, para abordar o papel do agronegócio na economia do…

Coordenador nacional do MST e responsável pela ligação da campanha de Lula com os movimentos populares do campo e da cidade, João Paulo Rodrigues defende que o PT se aproxime do movimento musical sertanejo, sem gestos que pareçam oportunistas, e escolha uma linguagem correta, sem hostilidade, para abordar o papel do agronegócio na economia do interior do Brasil.

– O sertanejo é uma produção cultural importante, é arte e tem muita gente séria. Nosso povo gosta, eu sou um amante dela. Hoje, você tem duas grandes expressões da cultura na contradição brasileira. Uma delas é o funk, que é a contradição produzida nas periferias brasileiras – ele declarou em entrevista à Folha.

Leia alguns trechos. 

 Como vocês encaram a relação entre Bolsonaro, o agronegócio e o sertanejo e como isso será abordado durante a campanha?  

O sertanejo está muito atrelado a uma política de hegemonia cultural. Eles têm os produtos, o agro, a música, os deputados e todo um jeito de lidar com a população. Foi um projeto pensado. Você não pode falar mal do agro para uma empregada doméstica no interior do país. Ela diz que é agro, porque come do agro, que os amigos trabalham no agro de peão, que ouve as músicas do agro nas grandes feiras agropecuárias. Tudo isso que deu na estética do agro.

O Bolsonaro se apossou dessa política de maneira oportunista. O Bolsonaro é um ‘milico’ do litoral, não tem nada a ver com terra. O Bolsonaro foi com o objetivo de ganhar dinheiro, e o agro, com o objetivo de ter arma e dinheiro. Dois grupos oportunistas que se juntaram.

E qual é a alternativa que a campanha pode apresentar? 

Nós precisamos, no próximo período, trazer uma parte do sertanejo para a esquerda. Isso faz falta. O funk está muito mais progressista. Nas décadas de 1970 e 1980, foi o samba. Agepê, Martinho da Vila. A cultura de resistência da periferia hoje é o funk. Já foi o rap, na década de 1990. No interior, foi migrando da música caipira até chegar no que tem hoje, que é o que tem de mais conservador, uma nova geração que não quer saber de nada, só de ganhar dinheiro. E o Bolsonaro dando ideologia para eles, o que é grave. A esquerda precisa olhar para isso.

Zezé de Camargo e Luciano já fizeram campanha com a gentes. Precisamos ter figuras como essas. Precisamos identificar como lidar com isso. O que não podemos é jogar todos para o lado de lá. Aí é erro. Temos que dividir. Temos que ter o agro dos alimentos com a gente. Deixar com eles só os sertanejos dos improdutivos. Eles pegaram todo o sertanejo. Temos que trazer para cá. Então volta Zezé di Camargo e Luciano, como figura de linguagem.

Como vai ser a articulação com artistas na campanha? Cuidadosa. Não queremos que seja uma relação utilitarista. Será uma relação deles conosco, e não o contrário. Queremos os artistas na campanha, mas queremos que participem do debate, que falem, por exemplo, de alternativas à Lei Rouanet. Eles têm que falar sobre isso, não queremos que só emprestem a voz. Eles que vão definir a relação conosco, e nós vamos achar meios de inclui-los nas pautas.

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