Convenções partidárias começam sob tensão e expõem disputas internas em ao menos nove estados

Definição das candidaturas para governador e senador mobiliza partidos até 5 de agosto, com impasses, alianças indefinidas e disputas entre lideranças regionais

As convenções partidárias para as eleições de 2026 têm início nesta segunda-feira (20) em um cenário marcado por disputas internas, divergências entre lideranças e impasses na definição de candidaturas em diferentes regiões do país. Em pelo menos nove estados, partidos chegam à fase decisiva do calendário eleitoral sem consenso sobre os nomes que disputarão os governos estaduais e as vagas ao Senado.

O prazo para a realização das convenções termina em 5 de agosto, data limite para a formalização das candidaturas junto à Justiça Eleitoral. Quando não há acordo entre os grupos internos, a definição passa a seguir as regras previstas nos estatutos de cada legenda, podendo ocorrer por votação nas convenções ou por decisão das direções nacionais.

Federação União Brasil-PP enfrenta impasses em vários estados

Uma das maiores fontes de conflito envolve a federação formada por União Brasil e PP. Apesar de estarem vinculados nacionalmente pelos próximos quatro anos, os dois partidos ainda enfrentam dificuldades para unificar estratégias em diversos estados.

Os principais embates ocorrem em Pernambuco, Maranhão, Roraima e Mato Grosso, onde lideranças locais disputam espaço nas chapas majoritárias e divergem sobre alianças eleitorais.

Pernambuco vive disputa por vaga ao Senado

Em Pernambuco, a principal divergência gira em torno da composição da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) disputam a indicação para concorrer ao Senado.

Eduardo da Fonte controla a federação no estado e conta com o respaldo da executiva estadual, que oficializou sua indicação. Já Miguel Coelho aposta na proximidade política com a governadora, ao lado de quem tem participado de diversos compromissos públicos.

“Sempre soube que quem monta chapa e escolhe candidato é a líder do processo, nesse caso a governadora”, afirma Miguel Coelho. Ele lembra que, quando não há unanimidade nas decisões, a palavra final cabe ao comando nacional.

Maranhão terá candidatos em lados opostos

No Maranhão, o cenário é ainda mais complexo. Os deputados federais André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) decidiram seguir caminhos distintos e lançar pré-candidaturas ao Senado em chapas adversárias.

Fufuca integra a aliança liderada pelo prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), principal nome da oposição ao governador Carlos Brandão (MDB). Caso sua candidatura seja confirmada, a chapa reunirá perfis políticos distintos, incluindo o conservador Lehesio Bonfim (Novo), também pré-candidato ao Senado.

Pedro Lucas Fernandes, por sua vez, permanecerá na base governista e confirmou sua participação na aliança encabeçada por Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador.

A tendência é que ambos mantenham suas candidaturas, enquanto a federação permaneça oficialmente neutra na disputa pelo governo estadual.

Roraima e Mato Grosso também registram divisões

Em Roraima, a situação política ganhou novos contornos após a cassação do governador Edilson Damião (União Brasil). A legenda encontra-se dividida entre os nomes de Pastor Isamar Ramalho e Tânia Soares para a disputa ao Senado.

Tânia Soares é cunhada do ex-governador Antonio Denarium, atualmente inelegível. Já Isamar Ramalho tende a apoiar o governador em exercício, Soldado Sampaio (Republicanos), enquanto Tânia mantém maior proximidade política com Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista.

Em Mato Grosso, o União Brasil também enfrenta dificuldades para consolidar uma posição única. O ex-governador Mauro Mendes, que deixou o cargo em abril para disputar uma vaga no Senado, não conseguiu convencer o partido a apoiar integralmente seu sucessor, Otaviano Pivetta (Republicanos).

A expectativa é que a convenção estadual confirme a candidatura do senador Jayme Campos ao governo, liberando, porém, seus filiados para apoiarem Pivetta, caso desejem.

No mesmo estado, o PSD também vive um processo de disputa interna. A médica Natasha Slhessarenko foi lançada como pré-candidata ao governo, mas o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro passou a reivindicar a indicação. A chapa terá apoio do PT e servirá como palanque estadual para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

PL chega às convenções com indefinições em quatro estados

O PL também inicia o período das convenções sem consenso em alguns estados estratégicos.

Em Minas Gerais, a legenda aguarda uma definição do senador Cleitinho (Republicanos), apontado pelas pesquisas como um dos principais nomes na disputa pelo governo estadual.

No Ceará, a principal disputa envolve a escolha do candidato ao Senado. O deputado estadual Alcides Fernandes e a deputada federal Priscila Costa disputam a indicação da legenda, em um cenário que evidencia divisões entre lideranças conservadoras e repercute também na relação com a família Bolsonaro.

Outro tema em debate no estado é o apoio ao ex-governador Ciro Gomes (PSDB). Apesar das discussões, dirigentes estaduais afirmam que a aliança já está encaminhada.

“Não há chance de o PL lançar candidatura própria ao Governo do Ceará”, afirmou o deputado André Fernandes (PL).

No Espírito Santo, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) declarou apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, mas a composição da aliança estadual entre Republicanos e PL ainda depende de negociações com o senador Magno Malta.

Já no Acre, o partido permanece dividido entre apoiar a governadora Mailza Assis (PP) ou integrar a candidatura do senador Alan Rick (Republicanos) ao governo estadual.

Republicanos mantém disputa interna no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o Republicanos ainda não definiu qual nome representará a legenda na disputa pelo Palácio Guanabara.

O partido convive com duas pré-candidaturas: a do ex-governador Anthony Garotinho e a do ex-prefeito de Miguel Pereira André Português, que disputam o apoio interno para liderar o projeto eleitoral da sigla no estado.

PT conclui definição de palanques estaduais

Entre os partidos da base do presidente Lula, o PT encerrou nesta semana a montagem de seus palanques estaduais com a confirmação do ex-ministro Patrus Ananias como candidato ao governo de Minas Gerais.

No Distrito Federal, porém, a base governista terá duas candidaturas distintas ao Palácio do Buriti: Leandro Grass, pelo PT, e Ricardo Capelli, pelo PSB.

O campo conservador também chega dividido à disputa na capital federal. O MDB avalia lançar Rafael Prudente ao governo após o rompimento da articulação com a governadora Celina Leão (PP), que assumiu o comando do Executivo local depois da renúncia de Ibaneis Rocha (MDB).

Disputa presidencial também entra na reta decisiva

Além das definições estaduais, as convenções nacionais também começam a desenhar oficialmente a disputa pelo Palácio do Planalto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará sua convenção no dia 2 de agosto, quando deverá ter sua candidatura à reeleição oficializada.

Já o senador Flávio Bolsonaro pretende confirmar sua candidatura à Presidência da República em convenção marcada para 25 de julho. Até o momento, entretanto, o partido ainda não anunciou quem ocupará a vaga de candidato a vice-presidente. O prazo legal para definição da chapa termina em 5 de agosto.

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