Cardoso Moreira nasceu de uma fazenda, da fazenda virou vila, até se tornar cidade com o nome da família dona da fazenda e de quase tudo mais que havia na região. A cidade se emancipou de Campos dos Goytacazes em 1989, mas manteve a alma rural e o coração de interior. Enquanto o mundo corre atrás do 5G, Cardoso mantém-se firme no 5C: calma, café, coreto, conversa e calor humano.  

Mas há também espaço para a emoção. Quando, após chuvas fortes, a nascente do rio Trinta Palmos enche rapidamente formando um poço, fazendo com que as águas subam e rodopiem por cerca de 40 minutos, formando corredeiras e piscinas naturais, além de um proporcionar espetáculo da natureza.

E se Cardoso Moreira nasceu de uma fazenda, talvez por teimosia ou vocação, nunca perdeu o jeitinho de vila. O turista que chega esperando aventura descobre um outro tipo de emoção: de sentar-se na praça, ouvir o sino da igreja e perceber que o tempo, ali, não passa, só se espreguiça. 

História

Por volta de 1672, dois freis franciscanos, Paulo e Jacques, tentaram fundar um aldeamento indígena à beira do rio Muriaé, em terras ocupadas pelos Puris.

A empreitada, no entanto, foi dizimada por uma febre terrível, que dispersou os índios que ali viviam. Mais tarde, no século XVIII, chegaram os desbravadores aventureiros, criando gado, cana e se espalhando nas aluviões entre o Rio Paraíba do Sul e a Lagoa Feia.

Com o final do século XIX veio a ferrovia. O distrito, que já teve os nomes “Taquaraçu” e “Porto do Braga”, ganhou identidade ao se firmar como parte de uma linha férrea que interligava Campos aos interiores e até Minas Gerais.

Quem era o Cardoso Moreira?

José Cardozo Moreira nasceu em 1815, na freguesia de São Tomé de Bade, distrito de Braga, em Portugal. Em 1835, com cerca de 20 anos, emigrou para o Brasil.

Ele se tornou um grande proprietário rural o um dos principais nomes no transporte comercial de todos as maneiras possíveis existentes na época. De tropeiros a estrada de ferro, passando pela companhia “União Campista Fidelense”, que empregava barcos a vapor para transporte de mercadorias nos rios Paraíba do Sul e Muriaé. 

A título de reconhecimento, recebeu o título de Comendador, outorgado por D. Pedro II, em virtude de seus empreendimentos e da influência que possuía.

O que é Valão do Fura Olho?

Calma, não é nenhum sinistro local de desova. O Valão do Fura Olho é um ponto natural famoso pelo espetáculo que proporciona durante o período de cheia.

Trata-se de um poço ligado ao rio Trinta Palmos que, após chuvas fortes, enche rapidamente, fazendo a água subir rodopiando por cerca de 40 minutos.

O fenômeno atrai visitantes pela beleza das corredeiras e piscinas naturais, funcionando como um local de lazer ecológico e contemplação, muito apreciado por moradores e turistas que buscam contato com a natureza.

A cidade tem um festival do milho?

Na verdade, o nome do evento é mais pomposo: Exposição Agropecuária, Comercial e Industrial de Cardoso Moreira, que este ajo realizou sua 31ª edição.

Realizado todo mês de julho, reúne milhares de pessoas em quatro dias de programação variada, com competições, pratos típicos da região e espetáculos musicais _ este ano teve até os Barões da Pisadinha.

Qual é a importância da Pedra de São Joaquim?

A Pedra de São Joaquim, localizada na zona rural de Cardoso Moreira, é uma formação rochosa de destaque por seu valor histórico, religioso e paisagístico para a região.

Segundo relatos históricos, a pedra foi utilizada como ponto de referência para viajantes e tropeiros que transitavam pela região no século XIX, servindo como marco geográfico e de orientação.

Embora não conte com infraestrutura turística formal, é considerada um patrimônio natural e espiritual pela comunidade local, sendo palco de eventos religiosos e encontros comunitários.

Zona rural de Cardoso Moreira tem belezas e descobertas | Crédito: Reprodução

O que é a Ponte de Ferro?

Ela é considerada um dos grandes símbolos de Cardoso Moreira, representando a transformação da cidade e o seu compromisso com o desenvolvimento. 

Oficialmente chamada Ponte Dr. Luiz Carlos Teixeira Dias, ela foi construída inicialmente como uma estrutura ferroviária, inaugurada em 24 de agosto de 1947. Com o tempo, a ponte perdeu sua função original e virou ponto de travessia para pedestres e veículos.

Em 2024, a ponte passou por uma requalificação significativa, transformando-se em um moderno acesso rodoviário. A obra, que contou com um investimento de R$ 5,7 milhões, incluiu a implantação de pista para veículos, passarela para pedestres e ciclovia, além de iluminação pública e reforço estrutural.

Vista de Cardoso Moreira, com a famosa Ponte de Ferro | Crédito: Reprodução

O que mais tem para fazer por lá?

Localizada às margens do rio Muriaé, a cidade oferece atividades como navegação, pesca e banhos em corredeiras e espraiados. O Parque Natural Municipal é ótimo para caminhadas e observação da fauna e flora.

Para os amantes de história, a Estação Ferroviária de 1878, inaugurada por D. Pedro II e Princesa Isabel, abriga hoje a Casa da Cultura e a Biblioteca Municipal. O Mirante do Cristo também é um ponto turístico popular, oferecendo belas vistas da cidade

Mas em Cardoso Moreira, a melhor atividade ainda é não fazer nada. Sentar-se na calçada, conversar com um nativo, tomar café na padaria e ver o dia passar. A cidade é um lembrete delicado de que o interior fluminense não precisa de pressa, nem de espetáculo. Aqui, o tempo é o principal atrativo. 

Cardoso Moreira também conta com um Cristo e um mirante para se observar a cidade | Crédito: Reprodução

Como chegar?

Partindo da Guanabara são 331km pela BR-101, o que dá uma viagem de mais ou menos quatro horas. De ônibus, há saídas diárias da Rodoviária do Rio com passagens a partir de R$ 85.

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