No Noroeste Fluminense, há uma aldeia que parece saída das páginas de Goscinny e Uderzo: São José de Ubá. Pequena, discreta e cercada por colinas, ela resiste ao anonimato como a vila de Asterix resiste, sempre, aos romanos. Só que, em vez de poções mágicas, sua marca registrada é mais selvagem: a criação de javalis, animal que virou símbolo involuntário da cidade.
Fundada no fim do século XIX como “Rancho dos Ubás”, pouso de tropeiros mineiros, Ubá cresceu entre lavouras de café, cana e milho. O nome mistura fé e botânica: São José, padroeiro da capela, somado ao “Ubá”, herbácea nativa abundante. Hoje, ela guarda casarões históricos que permanecem fechados ao público, como se fossem tesouros reservados apenas aos moradores, reforçando a aura de mistério que combina com sua fama de “aldeia irredutível”.
E se os gauleses de Asterix caçavam javalis para celebrar suas vitórias, Ubá os cria para alimentar sua lenda. Oficialmente, não há números que coloquem a cidade no topo do ranking nacional, mas a narrativa popular já fez o trabalho: São José de Ubá é lembrada como a terra onde os javalis prosperam, e onde a tradição, a fé e a teimosia se encontram para manter viva uma identidade única no interior do Rio de Janeiro.

História
São José de Ubá nasceu no fim do século XIX como “Rancho dos Ubás”, pouso de tropeiros vindos de Minas. O desenvolvimento inicial veio do cultivo de café, cana e milho.
O nome mistura devoção e botânica: São José, padroeiro da capela local, somado ao “Ubá”, uma herbácea nativa que crescia em abundância.
Hoje, a cidade ainda guarda casarões do século XIX, mas ironicamente, muitos deles permanecem fechados ao público, como se fossem relíquias guardadas apenas para os olhos dos moradores. Ou, em outras palavras: há beleza arquitetônica preservada, mas nem sempre ela abre suas portas para o turista que chega sem avisar.
A cidade cria mesmo javalis?
O javali foi introduzido no Brasil nos anos 1960 e se espalhou pelo país, tornando-se uma praga ambiental e assim sua criação foi proibida em vários estados. Em Ubá, porém, a criação existe e é considerada relevante, mas não há dados oficiais sobre o volume exato, o que reforça a aura de mistério e exagero em torno da fama da cidade.
O Ibama aponta áreas prioritárias para o manejo em estados do Sul e Centro-Oeste. Ou seja, Ubá é mais lembrada pela narrativa popular do que por números oficiais.
O que é o quarto de São José dormindo?
O “Quarto de São José Dormindo”, criado na Paróquia São José, é um espaço devocional inspirado na tradição católica que representa o santo em repouso.
A ideia surgiu a partir da devoção difundida pelo Papa Francisco, que costumava recorrer a São José Dormindo como intercessor, lembrando que, segundo os Evangelhos, Deus lhe falava em sonhos.
O ambiente foi inaugurado em 2022 pelo pároco Pe. Moisés Melo Vieira Torres e rapidamente se tornou um ponto de oração e contemplação para os fiéis da cidade.
Mais do que uma sala física, o espaço simboliza a confiança na intercessão de São José e fortalece a identidade religiosa da comunidade local, atraindo visitantes e peregrinos interessados nessa devoção singular.

Tem uma concha acústica na Praça Matriz?
Não espere um padrão Sidney de majestade. Mas sim, a Praça da Matriz conta com uma concha acústica para realização de eventos e shows populares.
Apesar de minúscula em comparação ao exemplo australiano citado acima, ela é na prática o coração da vida social da cidade.
Por que é considerada um ponto estratégico no Noroeste Fluminense?
Historicamente, São José de Ubá serviu como entreposto para produção agrícola. A Central de Abastecimento do Estado do Rio (Ceasa-RJ) do município figura como elemento de escoamento regional, o que confere à cidade importância logística para agricultores do entorno, como Itaperuna, Cambuci e Santo Antônio de Pádua.
Ela é ainda uma porta de entrada para explorar o turismo do interior. Sua localização, a 95 metros de altitude e cercada por rios e colinas, e a presença de fazendas históricas s fazem dela uma base conveniente para quem quer explorar o Vale do Café sem muitos transtornos e turistas a balde.
O que são as fazendas Recreio e Prosperidade?
São fazendas históricas que compõem o patrimônio local e o roteiro turístico da região. Cartões postais privados que ajudam a explicar por que a cidade figura nos roteiros do Vale do Café e do Noroeste Fluminense.
A Fazenda Recreio, às margens da RJ-186, é uma construção do século XIX, com sede, curral e paiol. Sua atividade principal foi a criação de gado leiteiro e café.
Já a Fazenda Prosperidade segue a mesma linha histórica, representando o ciclo agrícola que sustentou a região. Ambas são símbolos de uma época em que o município prosperava com lavouras, antes de ser lembrado pelos javalis.
O que mais tem para fazer por lá?
A prefeitura e os guias regionais sugerem atrações com o Parque das Águas Almir Freire, com seu lago com patos e gansos, trilhas calçadas para caminhadas e áreas de descanso, com uma das principais atrações da cidade.
Há ainda o Horto Municipal, fazendas históricas, eventos culturais na praça e clubes locais como o Ubá Campestre Clube. Para quem gosta de turismo rural, há trilhas leves, observação da paisagem e contato com a produção agrícola (tomate, café e viveiros).
Para programar visitas, confirme diretamente com as fazendas pois muitas delas são particulares.

Melhor época para visitar e por quê?
O clima tropical favorece visitas no inverno, quando as temperaturas são mais amenas e os eventos culturais se intensificam.
A cidade é o segundo maior produtor de tomate do estado e a colheita costuma ocorrer entre maio e outubro. Nesse período a Ceasa regional tem movimento intenso e a paisagem agrícola está mais “viva”.
Como chegar?
Partindo da Guanabara, São José de Ubá fica entre 285 km e 326 km de carro, dependendo da rota escolhida, o que dá uma viagem de cerca de 4 horas. De ônibus, há saídas diárias com conexões da Rodoviária do Rio com passagens em torno dos R$ 146.


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